Exercício pode “substituir” um cochilo? Entenda o efeito surpreendente na memória

Vinte minutos de exercício aeróbico melhoraram a capacidade de formar novas memórias em jovens que passaram 30 horas acordados, com resultado semelhante ao de 90 minutos de sono. O estudo, publicado em agosto na revista científica PNAS, registrou desempenho 21% maior no grupo que se exercitou e 23% maior entre os participantes que dormiram, em comparação com quem não recebeu nenhuma intervenção.
O experimento reuniu 53 adultos jovens e saudáveis, divididos aleatoriamente após o período de privação de sono. Um grupo pedalou por 20 minutos a cerca de 80% da frequência cardíaca máxima; outro teve 90 minutos para dormir; e o terceiro permaneceu sentado na bicicleta, sem atividade física. Três dias depois, os voluntários fizeram um teste de reconhecimento de imagens: os grupos de exercício e sono acertaram cerca de 56% a 57% das imagens, ante aproximadamente 46% no grupo-controle.
O eletroencefalograma indicou mecanismos diferentes para os resultados. O sono reduziu sinais de fadiga neural e a pressão biológica para dormir, enquanto o exercício pareceu tornar mais eficiente o uso de recursos ligados à atenção e ao processamento de informações. “O estudo não demonstra que exercício substitui sono”, afirma a neurologista Andrea Bacelar, vice-presidente da Academia Brasileira do Sono no Rio de Janeiro. A atividade não torna segura a realização de tarefas de risco, como dirigir ou operar máquinas, depois de uma noite sem dormir.
