Moradores de Muzema, onde desabaram os prédios no Rio, vivem sob vigilância de milicianos

Publicado em 14 abril, 2019 9:18 pm
Bombeiros fazem trabalho de resgate em prédio que desabou em Muzema, Rio de Janeiro Foto: CARL DE SOUZA / AFP

Reportagem de Anna Virginia Balloussier na Folha de S.Paulo informa que existe o pagamento de mensalidades no condomínio em Muzema (comunidade vizinha à Barra da Tijuca, na zona oeste carioca) que dois prédios desabaram na sexta (12). A partir de janeiro, segundo o informe obtido pela matéria, todos teriam que pagar mensalidades de R$ 60 (apartamento) ou R$ 100 (casa). Para cada dia de atraso, R$ 1 extra.

De acordo com a publicação, o desastre ocorreu numa área dominada pela milícia. E uma marca dela por ali, moradores disseram à Folha, era justamente aquelas “mensalidades”. Ninguém quis se identificar, porque todo mundo sabia: com miliciano não se brinca. Os edifícios que colapsaram eram irregulares, como muitas das construções na área. Um dos campos de atuação da milícia é justamente grilagem de terras e exploração imobiliária ilegal. Quem vive ali pode não pagar IPTU, mas paga para os “donos do pedaço”, afirmam.

Em janeiro, a operação Intocáveis mirou líderes milicianos que controlavam Muzema e a vizinha Rio das Pedras. Um deles: o ex-PM Adriano da Nóbrega, que foi colega de batalhão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) investigado pelo Ministério Público. O próprio Nóbrega já foi homenageado pelo filho do presidente Jair Bolsonaro, completa a Folha.