O mamífero gigante extinto há 110 anos que reapareceu e já mudou ecossistema

A lontra-gigante, também conhecida como ariranha, voltou a ser registrada no Chaco argentino após mais de 110 anos sem aparições na região. A espécie foi reintroduzida no rio Bermejo como parte de um projeto de conservação, e seu retorno é apontado como um indicativo de recuperação ambiental após décadas de caça predatória e destruição de habitats.
Como predadora de topo, a lontra-gigante exerce papel central no equilíbrio do ecossistema. Sua ausência provocou desequilíbrios ao longo do tempo, e sua volta já desencadeia o chamado “efeito cascata trófica”, com reorganização da cadeia alimentar. Pesquisadores observaram, nas primeiras semanas, mudanças no comportamento de outras espécies, como o aumento de aves aquáticas nas áreas onde o animal voltou a circular.
Além de controlar populações de peixes, a espécie também modifica o ambiente ao escavar tocas e abrir trilhas nas margens dos rios, criando micro-habitats que favorecem a biodiversidade. O reaparecimento integra estratégias de “rewilding”, mas a permanência da espécie depende de proteção contra caça ilegal, preservação dos rios e manutenção de corredores ecológicos.
