Padre do balão: relembre a história do voo que terminou em tragédia

Quase 18 anos anos depois, a história do chamado “padre do balão” segue como uma das mais lembradas do noticiário brasileiro. Em 20 de abril de 2008, o padre Adelir Antônio de Carli decolou de Paranaguá, no litoral do Paraná, preso a balões de gás hélio, com a meta de permanecer 20 horas no ar e chegar a Mato Grosso do Sul. A viagem, planejada como ação de divulgação e arrecadação de recursos, terminou em tragédia.
Natural de Ampére, no sudoeste paranaense, Adelir havia sido ordenado padre em 2003 e se tornou conhecido pelo trabalho social e pela defesa dos direitos humanos. À frente da Paróquia São Cristóvão, criou a Pastoral Rodoviária, voltada ao atendimento de caminhoneiros que circulavam pela região do porto. Para chamar atenção ao projeto, apostou em voos acoplados a balões de hélio, prática na qual já tinha alguma experiência como paraquedista.
Antes da tentativa que acabou fatal, o religioso realizou um voo-teste em janeiro de 2008, partindo do Paraná e chegando à Argentina após cerca de quatro horas no ar. Mesmo assim, no dia da decolagem oficial, enfrentou condições climáticas instáveis. Pouco depois de partir, atingiu uma altitude muito acima do previsto e relatou dificuldades com o GPS e com a comunicação por telefone via satélite, segundo registros feitos durante os contatos com a equipe em terra.
O último contato aconteceu na noite do próprio dia 20, quando Adelir já havia sido levado pelo vento em direção ao mar. Após meses de buscas envolvendo Marinha e Aeronáutica, restos mortais do padre foram encontrados em julho de 2008, no litoral do Rio de Janeiro. O episódio encerrou de forma trágica uma iniciativa que pretendia financiar um abrigo para caminhoneiros e consolidou a figura do padre do balão como um símbolo de risco, fé e improviso levados ao limite.
