Partidos destinam R$ 21,6 milhões a candidatos ligados ao crime

Nove partidos políticos distribuíram ao menos R$ 21,6 milhões de recursos públicos a 20 candidatos questionados pelo Ministério Público Eleitoral ou por tribunais regionais eleitorais por suposta ligação com facções, milícias, jogo do bicho, grupos locais e esquemas de fraude contra cofres públicos. Os dados, obtidos no DivulgaCand até 22 de setembro, incluem nomes cujos registros ainda estavam sob análise ou haviam sido indeferidos.
O União Brasil reúne cinco candidatos no levantamento. MDB e PRD têm três cada um; PP, PSDB e Podemos, dois; e Avante, PT e Republicanos, um. No Rio de Janeiro, onde se concentra a maior parte das impugnações e dos indeferimentos por vínculos com grupos criminosos, o TRE passou a encaminhar os casos à Procuradoria para apurar a responsabilidade dos partidos na escolha dos nomes.
O maior repasse citado foi de R$ 5 milhões ao ex-senador Cícero Lucena (MDB), candidato ao governo da Paraíba. A Justiça Eleitoral deferiu seu registro, contestado pela Procuradoria, que recorreu ao TSE. No Rio, Marcos Dias (Podemos) recebeu cerca de R$ 4 milhões e Antonio Rueda (União Brasil), cerca de R$ 3 milhões; ambos tiveram candidaturas autorizadas pelos tribunais eleitorais. As legendas afirmam que candidatos com recursos pendentes podem fazer campanha e receber verbas enquanto não houver decisão definitiva.
