Por que o café continua caro no Brasil mesmo com safra maior em 2026

A alta do café no mercado interno em janeiro de 2026 reflete a combinação de escassez global e valorização internacional da commodity, fatores que têm pesado mais do que o avanço da safra brasileira. Mesmo com a produção 2025/26 estimada em 56,5 milhões de sacas, crescimento de 4,3%, o preço ao consumidor segue pressionado por um cenário externo desfavorável e pela dinâmica do comércio internacional.
Em 27 de janeiro de 2026, o café alcançou US$ 369,60 na Bolsa de Nova York, acumulando valorização próxima de 5% no mês. A relação estoque-consumo mundial permanece em níveis historicamente baixos, o que exige safras recordes sucessivas para conter novas altas. No Brasil, o efeito aparece nas gôndolas: em dois anos, o café moído teve aumento superior a 70%, refletindo custos maiores de reposição para a indústria.
Além disso, frete, energia e insumos agrícolas encareceram a formação do preço em 2026. Tensões comerciais, como o “tarifaço” dos Estados Unidos, aumentam a incerteza externa, enquanto o dólar forte estimula produtores a priorizar exportações. A entrada de novos mercados consumidores, como a China, intensifica a disputa pelo grão brasileiro e mantém as cotações elevadas.
