Servidor que matou duas colegas no Cefet dizia sofrer assédio moral no trabalho

O funcionário do Cefet-RJ que matou duas colegas de trabalho e depois se matou havia acionado a Justiça quatro meses antes alegando assédio moral. No processo, João Antônio Miranda Tello Ramos afirmava sofrer retaliações desde sua transferência de setor, incluindo perda de funções, isolamento e agravamento da saúde mental. A Justiça Federal encerrou a ação nesta semana por entender que a União não deveria integrar o caso, já que o Cefet possui autonomia administrativa.
Documentos anexados à ação mencionavam laudos que apontavam piora psiquiátrica relacionada ao ambiente de trabalho. João Antônio chegou a ser suspenso por 120 dias e, ao retornar, foi novamente realocado. Esse histórico funcional agora integra a investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios, que busca entender se os conflitos internos relatados podem ter relação com a motivação do ataque.
As vítimas, Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro, tinham trajetórias destacadas na instituição. Allane era doutora em Letras e coordenava equipes pedagógicas da Direção de Ensino. Layse, primeira colocada no concurso para psicóloga em 2014, atuava em Psicologia Escolar e Gestão de Pessoas. As duas foram baleadas dentro da Diretoria de Ensino na tarde de sexta-feira e morreram após serem socorridas.
O ataque causou pânico entre alunos e funcionários, que se esconderam em salas e na cantina até a chegada da Polícia Militar. O Cefet decretou luto oficial de cinco dias e informou que prestará apoio psicológico à comunidade acadêmica. Depoimentos, laudos e documentos funcionais serão analisados pela polícia para esclarecer a dinâmica e os possíveis fatores que antecederam o crime.
