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O desespero de Marcelo Madureira, de ex-humorista a símbolo do fascismo que vai ajudar a eleger Lula. Por Kiko Nogueira

 

“Seu vagabundo, Lula da Silva, nós não temos medo! Sua ladrona, sua vagabunda, mentirosa, Dilma Rousseff, nós não temos medo! Seu Gilmar Mendes, nós não temos medo! Vagabundo!”

O discurso de Marcelo Madureira na Paulista, proferido em altos brados para duas dezenas de pessoas sedentas de sangue, de cima do carro de som do Vem Pra Rua, é um dos capítulos mais baixos da história recente dos protestos.

A frase foi atribuída a Regina Duarte, inclusive pelo DCM (pedimos desculpas pelo erro). Não era de uma atriz, mas de um comediante. Ou melhor, ex-comediante.

Fundador do Casseta & Planeta, Madureira virou um direitista fanático, um bolsominion de banho relativamente tomado que se dedica a fomentar a histeria política.

Achou um jeito de não desaparecer depois do cancelamento da atração. A dureza é que há um refluxo nesse tipo de expediente fascistoide.

Ninguém aguenta tanto ódio o tempo todo. Se a tática funcionasse, Lula não estaria em primeiro lugar nas pesquisas. A ficha não caiu para Madureira. Provavelmente, não cairá.

Esses shows de sordidez não são recentes. Em 2015, escrevi sobre ele. Acredito que o texto continua atual:

Acontece. Comediantes podem perder o senso de humor como chefs perdem o paladar, juízes ficam incapazes de julgar e roqueiros perdem o cabelo.

Veja o que se passou com Steve Martin, Eddie Murphy, Woody Allen, Jim Carrey, Jô Soares, entre outros. Uma hora o espírito simplesmente desaparece e não volta mais.

Marcelo Madureira está a milhas dessa liga, mas, durante os melhores anos do programa Casseta & Planeta, foi responsável por boas risadas na TV. O personagem Coisinha de Jesus, um coreógrafo baseado em sua total inabilidade de dançar, era um achado.

Foi roteirista do impagável TV Pirata e criou, junto com o colega Hubert, o jornalista picareta Agamenon Mendes Pedreira. Bussunda morreu, o Casseta desidratou e morreu, a trupe se separou e Madureira se transformou no Danilo Gentili.

Em mais um caso de obsessão monomaníaca, descobriu que Lula, Dilma, o PT, a esquerda, o estado — enfim, você conhece o pacote — são os responsáveis pelas desgraças do universo. E tenta tirar piada só disso.

Lula é “impostor e vagabundo”, Dilma é “um travesti de Kim Jong-Il”. No entanto, com esse tipo de sacada espertíssima, Madureira achou um jeito de sobreviver. Aparece como “especialista” (??) no Instituto Millenium, ganhou uma coluna na Veja, fala na CBN.

É uma espécie de Lobão da comédia, cujo talento também secou para se “reinventar” como ativista de direita.

Descolou um troco produzindo um vídeo para a campanha de Aécio, discursou em carros de som na Avenida Atlântica nos protestos antiDilma. Em seu blog, avisa que faz palestras. Deu uma entrevista à Folha denunciando a “parasitagem” do PT, num país em que “a classe média quer um emprego público, os pobres querem bolsas assistencialistas e os ricos querem ‘Bolsa BNDES’”. Etc etc.

É sintomático que ele não perceba o enfado que isso provoca em qualquer cidadão que não seja um revoltado on line. Quando não se queixa do lulopetismo ou algo que o valha, Marcelo é um poço de ressentimento.

“Obliteraram o Casseta & Planeta da memória da televisão. Isso é uma coisa que me deixa triste”, disse. A Globo acabou com a atração porque começou a “cortar conteúdo” — não porque a audiência mirrou.

Marcelo Adnet é um “banana”: “Eu não entendo tantos elogios ao ‘Tá no Ar’, especialmente porque tudo o que eles fazem é exatamente como o Casseta & Planeta e o TV Pirata. Ele e a Globo podem fazer coisas mais originais e bem elaboradas”.

Buster Keaton, gênio do cinema mudo, ficou célebre arrancando gargalhadas sem mexer um músculo do rosto. Um crítico escreveu que seu sucesso advinha do fato de ele parecer “triste, o tipo de sujeito que os cachorros chutam”.

Madureira tem só a tristeza. É provavelmente o ex-cômico mais rancoroso do mundo. De Coisinha de Jesus a Gentilinho do Senhor. Para fazer esse tipo de humorismo de baixo nível, monotemático, odiento, Gentili é melhor, aliás. Culpa de quem? De MM, que não soube se renovar? Dele, que não procurou inspiração?

Magina. Do PT, merrmão. Rs. Kkkkkkkk.. Hahahaha.

Kiko Nogueira

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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Kiko Nogueira

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