Morte por cloroquina é boa para Bolsonaro: não entra na estatística do coronavírus. Por Tchelo

Bolsonaro vende cloroquina

Bolsonaro não está nem aí para o povo brasileiro. Ele só se preocupa com ele mesmo, com sua própria família e com sua reeleição.

Até aí, nenhuma novidade para quem vê o óbvio.

Ontem, ao provocar o pedido de demissão do Ministro da Saúde Nelson Teich, pudemos assistir como o presidente consegue atuar, numa cajadada só, nessas três frentes:

1. O indivíduo Bolsonaro não ouve ninguém. Se considera o arauto da razão. Dono da verdade que libertará só a ele mesmo. Entrega ao STF exames com codinomes, talquei? Instala um governo fascista, em que ou se faz o que ele quer, ou não lhe serve. Assim quer acabar com o distanciamento social horizontal. No grito.

2. O pai Bolsonaro quer proteger os seus. Tira o foco da reunião ministerial que mostra a chulice de seu governo e seu desejo maquiavélico de controlar a PF (vulgo Polícia Federal) e proteger seus filhos e amigos. Perto dele, Vito Corleone é fichinha.

Tem mais.

Esse terceiro tiro ajuda tanto na sua megalomania quanto na sua intenção de tirar a atenção das ilegalidades que rondam ele e sua família. O presidente traz de volta a velha e boa discussão sobre a liberação geral da cloroquina (e que coincidência… o laboratório químico do exército produziu milhões de comprimidos da droga e agora precisa de demanda ou terá prejuízos milionários).

3. Usa a cloroquina como um remédio milagroso que acaba com a ameaça do vírus mesmo não existindo base científica para isso, e mesmo havendo riscos comprovados de efeitos colaterais perigosos que levam frequentemente à morte. Como aconteceu com o jornalista Renan Antunes de Oliveira.

Liberar a droga agrada seus apoiadores e dá a impressão de que o presidente se preocupa de verdade em combater a pandemia.

Pobre daquele que acha que Bolsonaro cuida do povo brasileiro ao dar acesso à cloroquina para qualquer cidadão com sintomas leves.

Com a liberação do medicamento, brasileiros vão morrer, por exemplo, de ataque cardíaco, antes mesmo de serem diagnosticados com a covid-19.

Na lógica bolsonarista, egoísta, familiar e eleitoral: e daí?

A cloroquina funciona para os seus próprios objetivos sórdidos: com pessoas morrendo em casa e com atestado de óbito por parada cardíaca, antes de testarem positivo para a Covid, diminuem-se as internações, alivia-se o sistema de saúde e reduzem-se os casos oficias.

O gráfico altera. O fim do isolamento parece seguro.

Para o presidente, a salvação.

Mas e para você?

Na real. Bolsonaro não está nem aí para você. Não está nem aí se você morrer.

Desde que não seja do novo vírus corona.

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