O que é ser mãe na Suécia

A Escandinávia vai virando referência internacional em modelo de sociedade.

Crianças na Suécia recebem tratamento especial
Crianças na Suécia recebem tratamento especial

Danusa Leão escreveu certa vez uma coisa que certamente cansou de ler na mídia: que os direitos trabalhistas no Brasil são campeões do mundo.

É uma informação torta disseminada pela mídia com fins pouco edificantes: criar um ambiente no qual fique mais fácil ceifar direitos trabalhistas.

Num mundo crescentemente incomodado com a desigualdade social, a Escandinávia – e o Diário fica particularmente feliz com isso – vem sendo observada cada vez mais de perto com seu modelo quase utópico – e altamente eficiente e próspero.

A BBC publicou a matéria abaixo, exatamente dentro desse quadro, verificar o que se pode aprender com os países escandinavos.

Semanas atrás, a mesma BBC mostrou o inovador sistema de regulamentação de mídia da Dinamarca como uma possível fonte de inspiração para os ingleses, que discutem o assunto agora.

 

Famosa por sua preocupação com o bem-estar de seus cidadãos, a Suécia oferece creches que funcionam durante a noite e finais de semana para atender pais que trabalham em turnos não convencionais.

A pequena cidade de Norrköping, no sudeste do país, é uma das pioneiras no atendimento nestes horários com quatro creches operadas pelo governo local. A primeira destas foi aberta há 20 anos.

“No começo era muito difícil levar meus filhos para dormir em outro lugar e meu coração doía”, diz Maria Klytseroff, 39 anos, que cuida de pessoas com dificuldades de aprendizado.

Os filhos dela passam cerca de duas ou três noites por semana em uma das pré-escolas, que se parece mais com um apartamento residencial do que com um centro de educação.

“Sou mãe solteira e queria voltar para meu emprego, que é durante a noite. As crianças se acostumaram logo, têm amigos e adoram os funcionários”, diz.

A Suécia tem um histórico de bom tratamento para pais que precisam de creches e regularmente está entre os países apontados entre os melhores do mundo para  criar os filhos.

Cada criança tem seu lugar garantido em uma pré-escola pública e nenhum pai paga mais do que 3% do salário para isto. As taxas não ultrapassam 1.260 coroas suecas por mês (quase R$ 390) para os que ganham os salários mais altos do país.

No país, cabe aos governos de cada uma das regiões (municipalidades) a decisão sobre o oferecimento de serviço de creches fora do horário normal.

Atualmente, estas creches existem em 123 das 290 áreas administrativas do país e são frequentadas por quase 5 mil crianças.

Pais e mães solteiros ou casados podem usar estas creches, basta que o empregador forneça provas dos horários de trabalho.

A creche onde ficam os filhos de Maria Klytseroff atende 18 crianças, que chegam para o jantar. Depois elas escovam os dentes e um funcionário lê uma história para elas, antes de dormir.

Pela manhã, os funcionários vestem os agasalhos nas crianças e as levam de carrinho para uma creche diurna próxima, enquanto Maria descansa do trabalho noturno.

“Viajei muito então sei que tenho sorte em comparação a pessoas de outros países”, afirmou Maria, que paga um total de 720 coroas suecas (cerca de R$ 220) por mês pela pré-escola dos filhos.

Nos últimos anos na Suécia funcionários de hospitais, restaurantes, do setor de transportes e de lojas precisaram se adaptar aos turnos de trabalho mais longos e eles estão entre os que mais se beneficiam com estas creches.

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E, a partir de julho, o governo de centro-direita da Suécia prometeu gastar 108,5 milhões de coroas suecas (mais de R$ 33 milhões) nos próximos quatro anos para ajudar mais áreas do país a melhorarem o serviço.

Mas, os partidos de oposição questionam se a quantia será o bastante.

“A Suécia começou antes de outros países em termos de aumentar (o número de) mulheres na força de trabalho e, para tornar isto possível, nós construímos o sistema de creches”, diz a ministra de Gênero da Suécia, Maria Arnholm.

“Acreditamos ser importante que as famílias possam combinar a paternidade e maternidade com o trabalho e isto não deveria incluir apenas aqueles que trabalham de 9h às 5h (da tarde), mas também aqueles que trabalham nas horas inconvenientes”, afirma.

Desde 2008 cerca de um terço das municipalidades suecas começaram a oferecer uma ajuda de custo para os pais que escolhem parar de trabalhar até que as crianças completem três anos.

“Graças às creches baratas eu pude estudar e treinar novamente para ser enfermeira”, afirma Martina Stenbom, de 44 anos, mãe de um filho, que vive em Estocolmo. “Na minha área os cuidados são fora do horário tradicional de trabalho, então tive a chance de trabalhar e estudar durante a noite efinais de semana.”

Em Norrköping, Maria Klyteroff lembra que “não importa se você é rico ou pobre, ou no meio, como eu, as creches significam que todos aqui têm a chance de trabalhar”.

E quando você é uma mãe estrangeira? A BBC ouviu uma.

Gina Tse, 33 anos, é prima ballerina para a Companhia Royal Ballet sueco.. Ela vive em Estocolmo com seu filho de quatro anos.

“Como mãe estrangeira, tenho os mesmos direitos que um cidadão sueco em termos de licença maternidade e acesso a serviços sociais. Sendo bailarina, trabalho regularmente à noite e nos fins de semana”, diz.

No caso do seu filho, o berçário noturno é no mesmo local que a creche. “Então ele tem os mesmos professores e tudo parece familiar”..

Gina diz que quando fala com amigos britânicos sente “quão sortuda” é.

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