O verdadeiro sentido da “tubaína” de Bolsonaro: gíria de quartéis para tortura por afogamento

Bolsonaro com cloroquina

A falta de respeito de Bolsonaro com as vidas perdidas por causa do Coronavírus, justamente no dia em que, basicamente, morreu um brasileiro por minuto em 24 horas, vai além de uma piada tosca que rima palavras com final “ina”.

Se fosse só para desdenhar a gravidade da pandemia, Bolsonaro poderia ter usado outra rima: brilhantina, nitroglicerina, parafina, água de piscina…

A palavra tubaína não foi escolhida por acaso. Foi escolhida a dedo.

Tubaína é, na verdade, “entuba aí, né”.

O trocadilho é a forma mais pobre de se fazer uma piada. Um jogo de palavras com duplo sentido, bobo e infame que qualquer tiozão consegue fazer. Tipo, “ela queria dar o furo”, sacou?

Ao dizer que quem é de direita toma Cloroquina e quem é de esquerda, tubaína, o presidente faz pouco caso dos brasileiros que contraírem o vírus, insinuando que os que não tomarem o medicamento serão entubados.

Na verdade, repetiu uma piada interna, daquelas que só um círculo de amigos compreende. Talvez por isso tenha passado batido para a maioria das pessoas.

Ao final ele pergunta: entendeu? Deixa claro que existe um segundo sentido. Há quem diga que nos bastidores do Planalto ele faz essa piada baixa faz tempo.

Sabe-se também que tubaína é uma gíria usada em quartéis para a técnica de tortura por afogamento em que se coloca um funil na garganta do torturado e despeja-se água sem parar.

Seguida de sua risada forçada, amedrontadora, a piada de Bolsonaro tenta estimular seu gado a rir com ele, como faz em suas visitas matinais ao puxadinho do planalto.

Nessas ocasiões sempre existem alguns apoiadores que riem enlouquecidamente de suas investidas malcriadas. Será que tem gente contratada para rir dessas desgraças na tentativa de transformar as grosserias do presidente em piada, e assim aliviar o absurdos expelidos pelo seu Jair?

É, ontem foi publicada a mudança no protocolo que libera o uso da cloroquina para uso preventivo.

O próprio sujeito, que todos sabem não ser médico, diz que guarda uma caixinha do remédio para medicar sua mãe de 93 anos em caso de necessidade.

Será que ele realmente administraria o medicamento nela mesmo sabendo – ou fingindo não saber – dos riscos da automedicação?

Atingimos um novo patamar na República do Tio do Pavê.

Agora temos a Presidência do Entuba Aí Né.

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