“Palhaço”: GloboNews ataca Durigan por reagir a Milei e deixa claro que defende o argentino

Atualizado em 28 de julho de 2026 às 9:05

A cobertura da GloboNews sobre o atrito diplomático entre Brasil e Argentina deixou evidente a escolha de lado da emissora: o da palhaçada.

Em vez de denunciar a falta de compostura do presidente argentino Javier Milei — que proferiu ofensas diretas a autoridades brasileiras em São Paulo e depois as repetiu em Buenos Aires —, a emissora caiu em peso em cima do ministro da Fazenda, Dario Durigan, por ele ter rebatido o mandatário e o qualificado de forma realista como “palhaço”.

Um comentário prosaico a respeito de um desqualificado virou motivo de indignação na casa, como se Durigan tivesse xingado a mãe de um dos jornalistas ou destruído a resposta do Itamaraty.

Nos estúdios, a ordem foi massacrar o ministro, deixando claro, indiretamente, o alinhamento com a figura grotesca de Milei, o jagunço de Donald Trump. Tudo isso virou suco nas redes bolsonaristas, evidentemente.

Mônica Waldvogel acusou Durigan de “falta de autocontenção” e sugeriu que o titular da Fazenda estaria agindo por puro cálculo partidário, priorizando palanque em detrimento do rigor diplomático.

No Estúdio i, o comentarista Octávio Guedes, alterado, questionou a capacidade técnica e a postura de Durigan. “Ele não pode botar o seu projeto de poder pessoal à frente de uma crise diplomática. É um ministro da Fazenda com uma postura inconveniente, não está à altura do cargo e da responsabilidade que ele exerce. A atitude dele foi uma palhaçada”, esbravejou Guedes, supostamente fazendo um trocadilho.

Marcelo Lins, em geral comedido, entrou no clima de linchamento. Acusou o ministro de ingenuidade porque “se deixou levar por uma atitude do presidente da Argentina e escorregou na casca de banana”, misturando a pauta econômica com o debate eleitoral.

Logo em seguida, o apresentador Marcelo Cosme, um completo panaca, fez questão de levantar a bola para o comentarista Merval Pereira endossar a narrativa de desgaste do governo.

Merval apontou para supostas manobras de bastidor e interesses eleitorais por trás da fala firme de Durigan. “Claramente o Durigan quis agradar o presidente e aí misturou as questões técnicas com as políticas”, proferiu o imortal, completando que Haddad já admite nos corredores a possibilidade de perder as eleições ao governo de SP e que Lula reservaria a Casa Civil para ele num eventual quarto mandato.

Segundo Merval, Dario Durigan tem subido o tom intencionalmente para parecer mais político e agradar Lula, na esperança de garantir sua permanência no comando da Fazenda.

O Brasil sempre estará à mercê de uma intervenção estrangeira enquanto houver uma imprensa desse quilate.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.