Temer e a maldição dos homens decorativos. Por Paulo Nogueira

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Na peça Chicago, há um personagem chamado Homem Celofane. Ninguém o enxerga. Ninguém o nota. Ele pode estar ao lado de uma cadeira velha. As pessoas vão ver a cadeira.

Na vida cotidiana, há muitos homens celofanes. Eles não têm charme, não têm carisma, não têm tiradas espirituosas que os retirem do anonimato em que repousam.

Temos, no Brasil de hoje, um homem celofane na presidência.

Michel Temer queixou-se, numa carta já histórica, de ser um “vice decorativo”. O lamento vinha ao mesmo tempo em que ele conspirava para derrubá-la.

Mas repare.

Dilma não tinha nada a ver com o problema. Homens celofanes são decorativos por natureza. Desfazem-se na paisagem.

Temer virou presidente e continua a ser decorativo. Foi promovido de vice decorativo a presidente decorativo.

É sua sina.

Na fotos do G20, para ficar num caso, ninguém o via, um perfeito celofane.

No Brasil, onde ele está?

Não bastasse sua condição de virtual invisibilidade, nosso presidente celofane está sempre fugindo das vaias.

Quem faz o cargo é o homem. Um vice enérgico, atuante, será notado e louvado.

Mas Temer é um homem celofane, e leva essa maldição com ele onde quer que esteja.

Era um vice decorativo, é um presidente decorativo e em breve será um ex decorativo, ignorado por todos no mar da história.

Temos, na verdade, pela primeira vez na história, uma espécie de não presidente ocupando a presidência da República.

O homem celofane chamado Michel Temer.

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