A besta do fascismo à solta: o líder do Revoltados Online é chamado de comunista por seus cães. Por Kiko Nogueira

 

A Avenida Paulista teve de ser desocupada por jatos de água após mais de dois dias reservada para um bando de desocupados que, entre outras coisas, bateram numa garota que se recusou a gritar “Fora Lula”.

O secretário de segurança pública de São Paulo, Alexandre de Moraes Neto, foi hostilizado pelos manifestantes que agradou e elogiou ao longo das últimas semanas.

Antes dele, seu chefe Geraldo Alckmin, responsável pela área de lazer para os patriotas violentos — que, embora selvagens, curiosamente não são mais chamados de vândalos — e o colega e inimigo Aécio Neves foram enxotados aos gritos de “filhos da puta”, “vagabundos”, entre outros carinhos.

A situação chegou agora ao ápice: Marcello Reis, o fascista líder da facção Revoltados On Line, foi expulso da avenida na noite de ontem, 18 de março.

A confusão foi gravada. Um sujeito fala que Reis é “comunista e do lado do Aécio. Quem paga tudo é o Aécio”.

Reis, que como todo falastrão é um covarde físico, refugiou-se atrás de policiais, visivelmente assustado com o que acontecia com aquela corja que, até ontem, o considerava um profeta.

A questão do fascismo é essa: quando a besta foge da coleira, é difícil prendê-la de volta. A multidão de idiotas deseducada, submetida a uma dieta de indignação seletiva não tem compromisso com ninguém, a não ser com o ciclo de ódio que alimenta.

Até aparece um salvador da pátria, que no momento é Moro, mas até que Moro seja descartado pela Globo.

Parabéns aos envolvidos, parabéns a quem achava que ia se dar bem ao incitar o ressentimento e a revolta. Parabéns às autoridades que não coibiram absurdos, calúnias ignominiosas, ameaças de morte, em nome do republicanismo ou da covardia, mesmo.

Nós não fizemos nada.

A besta está solta e o que aparece é uma coisa feia e apavorante no nosso espelho.