A ganância dos agentes que ditam as regras do mercado financeiro. Por Carlos Fernandes

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O “Day After” da manutenção da taxa básica de juros da economia nos já obscenos 14,25% pelo Banco Central do Brasil revela a ganância desenfreada dos agentes que ditam as regras no mercado financeiro.

Decepcionados com o fato de que perderam uma grande oportunidade de faturar ainda mais em ganhos de capital que nada produzem enquanto relaxam em seus iates milionários em algum paraíso do Caribe ou do Mediterrâneo, fizeram o dólar atingir um novo recorde na sua cotação frente ao real.

Essa é a lógica dos parasitas internacionais que vivem de manipular cotações ao redor do mundo e ganhar milhões com a especulação financeira, pouco importando a sanidade dos fundamentos econômicos dos países em que atuam.

Querer exigir que a autoridade monetária do país elevasse uma taxa de juros que já se encontra na estratosfera num mercado onde as causas básicas da inflação no atual cenário não encontra-se exatamente no consumo é exigir que o remédio seja substituído pelo veneno.

Incrível como essa gente ainda encontra defensores ardorosos na grande mídia nacional, nos oportunistas da oposição e numa turma de economistas conservadores que parecem desconhecer o mal causado pelo rentismo.

Os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) referentes ao avanço do desemprego em 2015 só atestam que, mais do que não aumentar a Selic, devemos caminhar exatamente no sentido oposto.

Se existe algo que nem o Brasil nem o resto do mundo precisa nesse momento, são medidas que invariavelmente causam recessão. E nesse quesito em particular, nada é mais eficiente do que o aumento dos juros.

Todas as previsões, nacionais e internacionais, indicam que a inflação no Brasil irá ceder gradativamente já a partir deste ano. O que se faz urgente agora é garantir a retomada da atividade econômica e consequentemente da renda e do emprego.

Para isso, é indispensável que tanto o governo quanto o empresariado nacional saibam identificar e aproveitar as oportunidades que sempre se criam justamente nos momentos de adversidades.

Se por um lado o dólar nas alturas impacta nos preços de produtos cujas matérias-primas são importadas e nas dívidas contratadas nessa moeda, por outro é uma importante ferramenta para incentivar as exportações uma vez que os produtos brasileiros ficam mais baratos no mercado internacional.

O Brasil possui as condições e as características fundamentais para enfrentar os desafios que um mundo em crise nos impõe. Somos, por exemplo, detentores de um mercado consumidor interno de mais de 200 milhões de pessoas e de uma imensa extensão de terra agricultável. Fatores que poucos países no mundo podem se gabar de possuir.

O que realmente nos falta é uma grande imprensa imparcial, uma oposição responsável e mais economistas que defendam a produção.