A indignação fajuta de Aécio. Por Paulo Nogueira

O vídeo em que Aécio mostra indignação com uma delação que o atinge é um retrato perfeito dele mesmo, Aécio.

Nunca antes, quando a mesma coisa atingia seus adversários, ele fez o menor tipo de restrição.

Jamais Aécio disse que os fatos deveriam ser apurados antes de publicados.

E agora, com incrível cara de pau, ele exige para si mesmo o que jamais reivindicou para os outros.

É como se num jogo de futebol Aécio aceitasse, estimulasse e aplaudisse gol de mão — mas apenas contra os outros.

Por isso mesmo, o vídeo tem efeito zero em comover. Aécio não transmite nele sinceridade, princípios morais elevados, nada disso.

Passa apenas, como sempre, a imagem de um garoto mimado contrariado.

O vídeo, publicado na página de Aécio no Facebook, está tomado de comentários contra a suposta vítima.

Num mundo menos imperfeito, a mídia tomaria imenso cuidado antes de veicular vazamentos e denúncias não ainda comprovadas.

No caso da Veja, por exemplo, a revista teria ido atrás da alegada conta em Nova York usada pela Odebrecht para abastecer Aécio de propina.

Neste mundo menos imperfeito, a Justiça seria implacável com veículos que publicassem acusações sem provas.

Mas este nosso mundo é extremamente imperfeito. E denúncias não comprovadas sobretudo contra o PT infestaram o panorama da mídia nos últimos anos.

Quando Aécio fez qualquer tipo de ponderação?

Nunca.

Ele atiçou o fogo, pelo contrário. E só se incomodou quando as chamas o atingiram.

Na verdade, ele achava que isso jamais aconteceria. Tinha certeza de proteção eterna.

Esse choque de realidade doi ainda mais para Aécio por um motivo: a capa da Veja mostra que ele foi descartado pela mídia — o real poder do país.

Acabou sua festa. Agora ele é um na multidão. E a mídia irá publicar denúncias contra ele até para mostrar — pausa para gargalhadas — que é isenta e apartidária.