Acabou o pixuleco de Temer: grupos golpistas convocam para nova “manifestação”. Por Kiko Nogueira

vem pra rua

 

Eis que os “movimentos” golpistas anunciam que voltarão a dar as caras.

Vem Pra Rua, MBL, Revoltados OnLine e Endireita Brasil, entre outros, divulgaram uma data para novos protestos: 26 de março. A pauta: apoio à Lava Jato; fim do foro privilegiado; revogação do estatuto do desarmamento.

“Pediremos celeridade nas reformas e daremos uma demonstração de apoio à Lava Jato. Há uma percepção do Congresso que as ruas esfriaram”, diz Kim Kataguiri.

É como os Nardoni saírem em defesa dos direitos das crianças.

Os grupos golpistas são diretamente responsáveis pelo caos instalado e pela ascensão da quadrilha temerista. Usaram e corja e foram usados por ela.

Num áudio amplamente divulgado, Renan Santos, que coleciona processos na Justiça, fundador do MBL, diz o seguinte: “O MBL acabou de fechar com o PSDB, DEM e PMDB, uma articulação para eles ajudarem. Ah, também com a Força Sindical, que é o Paulinho.”

Ele esteve em setembro conversando com Moreira Franco, então secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, para cuidar de parte da “comunicação” do governo.

A intenção, falou Renan, era “aproveitar a expertise de mobilização”.

Serra, chanceler e imortal, que recebeu R$ 23 milhões via caixa dois segundo delação da Odebrecht, fez selfie e discursou em carro de som com a galera de Rogério Chequer.

Serra com Rogério Chequer, do Vem Pra Rua
Serra com Rogério Chequer, do Vem Pra Rua

 

Chequer escreveu uma dedicatória a Temer num livro sobre seu grupelho: “Esperamos que tenhamos muitos projetos alinhados daqui para frente. Forte abraço”.

A obra foi entregue a José Yunes, advogado de Michel e “assessor especial” que recebeu em seu escritório 10 milhões de reais repassados durante a campanha de 2014 ao PMDB, de acordo com executivo da construtora.

De Geddel a Jucá, passando pelo brother Paulo Skaf e a acolhedora Fiesp — todos eles tiveram cadeira cativa nas micaretas verde amarelas.

Os kataguiris chegaram a acampar em frente à casa de Cunha em Brasília. Não para protestar, mas para oferecer apoio. “Ele é útil à nossa causa”, admitiu o coordenador da facção em Pernambuco, João Pedro Cavalcanti.

Todos os homens que tomaram o poder com a forcinha dos cidadãos de bem eram velhas cobras criadas. Nunca enganaram nem a si próprios.

Não tem sentido, agora, esse povo vir com um “eu não sabia”. Há duas prováveis explicações: 1. acabou o pixuleco do Planalto; 2. estão apostando na máxima de P.T. Barnum, o inventor do circo moderno: ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do público.

Se você cravar as duas alternativas, não estará longe da verdade.

Um clássico
Um clássico