Escândalo Mírian: no governo FHC, BNDES salvou Globo da insolvência

Postado em 22 de fevereiro de 2016 às 11:55 am

Os companheiros Roberto Marinho e FHC

Os companheiros Roberto Marinho e FHC

Em março de 2002, último ano do governo FHC, a Folha publicou uma reportagem que contava o mega-socorro que o BNDES armava para salvar a Globo da insolvência por conta de investimentos desastrosos em tv por assinatura.

Várias outras publicações noticiaram também.

O que ninguém fez foi ligar o caso à proteção que a Globo oferecera a FHC no episódio Mírian Dutra.

Na entrevista que deu ao DCM, Mírian fala nos empréstimos do BNDES como forma de retribuição de FHC pelo fato de a Globo ajudar a tirá-la do caminho quando ele era ainda um pretendente ao Planalto.

Trechos da reportagem da Folha:

 

A operação foi revelada pela Folha no sábado e pode chegar a R$ 1 bilhão.

Não se trata da única operação em estudo ou andamento entre um banco oficial e o grupo empresarial carioca. O Banco do Brasil também avalia sua participação no refinanciamento da dívida das Organizações Globo. A Folha apurou que a operação poderá alcançar a cifra de R$ 2 bilhões.

A operação de capitalização com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, depende ainda da aprovação do seu quadro de técnicos. Teria papel importante no encaminhamento dos problemas financeiros das Organizações Globo, cuja dívida chega a cerca de R$ 1,8 bilhão.

A notícia da operação envolvendo um banco oficial caiu como uma bomba no mercado. A reação mais enfática veio das redes de televisão. “É um espanto que uma operação desse vulto, envolvendo a Globo e o governo federal, aconteça a menos de três meses de uma campanha eleitoral”, diz Antonio Teles, vice-presidente da Rede Bandeirantes.”

“A Globo Cabo nasceu fundada em financiamento externo. Por erros financeiros, atitudes perdulárias, o negócio desandou. Qual é a responsabilidade do povo brasileiro, a quem pertencem os fundos do BNDES, para ser chamado a salvar um naufrágio desses?”, completa Teles.

A Folha apurou que, há três meses, a Bandeirantes fez uma consulta formal ao banco sobre a disponibilidade de abertura de linhas de financiamento. Ouviu como resposta que o BNDES não opera com empresas de mídia.

O SBT, que tem dois pedidos de financiamento não atendidos no banco, não se manifesta oficialmente sobre a operação da Globo Cabo. Um dos executivos da empresa afirmou à Folha, no entanto, que a operação causa perplexidade, pois o país estaria pagando a conta de erros empresariais.

Com 35.000 km de cabos instalados e 1,5 milhão de assinantes, a Globo Cabo investiu o equivalente a US$ 2 bilhões no negócio, mas só teve prejuízos até agora.

Em outubro passado, Roberto Irineu Marinho, vice das Organizações Globo, admitiu que poderia vender uma parte da empresa, perdendo o controle acionário.
O BNDES pode anunciar nos próximos dias uma operação financeira para capitalizar a Globo Cabo, a maior empresa de TV por assinatura do país, controlada pelas Organizações Globo. A operação foi revelada pela Folha no sábado e pode chegar a R$ 1 bilhão.

Não se trata da única operação em estudo ou andamento entre um banco oficial e o grupo empresarial carioca. O Banco do Brasil também avalia sua participação no refinanciamento da dívida das Organizações Globo. A Folha apurou que a operação poderá alcançar a cifra de R$ 2 bilhões.

O formato da operação não está definido. Uma das hipóteses mais prováveis é o Banco do Brasil atuar como uma espécie de avalista da Globo na operação de reestruturação da dívida. Com o aval do banco público, o grupo de empresas da família Marinho poderia tomar ou renovar empréstimos no exterior, seja por meio de financiamento direto ou lançamento de títulos. O Banco do Brasil não confirma e não nega oficialmente a operação.

Grande parte do crescimento da empresa foi financiada com empréstimos externos. As desvalorizações cambiais que aconteceram a partir de 99 tornaram o endividamento da empresa praticamente insuportável.

Para agravar o quadro, o desempenho do mercado de TV por assinatura está aquém do esperado. O total de assinantes no país é de 3,6 milhões de pessoas, quando se previa, pelo menos, o dobro.

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