Juiz que mandou fechar Instituto Lula é citado por delator da JBS, que disse ter com ele “relacionamento íntimo”

Postado em 20 de maio de 2017 às 1:42 am

Do Correio Brazilense:

Para faturar um contrato de R$ 8 milhões com Joesley Batista, o advogado brasiliense Willer Tomaz prometeu influências no Ministério Público Federal e também na primeira instância da Justiça Federal. Nas negociações com o empresário, ele garantiu ter contatos com o procurador da República Ângelo Goulart Vilella, preso durante a Operação Patmos, e assegurou ainda ter proximidade com o juiz substituto da 10ª Vara Federal Ricardo Soares Leite. Na vara, tramitam processos relativos à Operação Greenfield – tema de grande interesse para o grupo JBS. Em decisão recente, o magistrado causou polêmica ao determinar o fechamento do Instituto Lula. A decisão foi reformada em segunda instância.

A relação próxima de Willer com o magistrado poderia, no entendimento dos empresários, ajudar a defesa da Eldorado, firma controlada pelo conglomerado JBS. Segundo a delação de Joesley Batista, porém, Willer “deixou claro que não havia propina, apenas amizade e proximidade com o juiz”. Joesley, então, teria “cobrado” um jantar com o magistrado e o advogado. É nesse contexto que houve a efetivação do contrato com Willer, que previa a remuneração de R$ 4 milhões por honorários iniciais e R$ 4 milhões por êxito, ou seja, o arquivamento do inquérito.

Após tratativas iniciais, Willer mencionou ao advogado de Joesley, Francisco de Assis e Silva, conhecer um procurador que iria integrar a força tarefa da Operação Greenfield: Ângelo Goulart Vilella. Depois de algumas semanas, a informação foi confirmada oficialmente: Francisco recebeu, via WhatsApp, a nomeação do representante do Ministério Público Federal no âmbito das investigações.

A cooperação de Ângelo teria ocorrido de maneira rápida. Segundo o depoimento, após a primeira reunião do procurador nas investigações da Greenfield, Willer Tomaz recebeu a gravação da audiência de Mário Celso, ex-funcionário da JBS. Munido dos grampos, o advogado, supostamente, sugeriu que pagaria uma mesada de R$ 50 mil a Ângelo, a “título de ajuda de custo”. Joesley, no entanto, afirmou não saber se os pagamentos foram efetivados.

Em reunião realizada em 13 ou 14 de fevereiro deste ano, com o advogado Francisco de Assis e Silva, que representava Joesley e suas empresas, Willer voltou a falar sobre “o relacionamento íntimo com o juiz Ricardo”. Segundo o relato de Francisco, o advogado teria deixado claro “que não haveria promiscuidade, que nunca tinha saído da linha ética”.

JBS pagou honorários

O presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto, teria participado de um encontro, em 14 ou 15 de fevereiro, com Joesley, Francisco e Willer, no escritório deste último. Segundo Francisco, neste encontro “novamente é falado do relacionamento de Willer com o juiz Ricardo”. “Já neste momento, o Tomaz foi contratado e foi despachar com o magistrado”, disse Francisco à PGR.

Em uma das conversas, Willer reclamou dos honorários, que chegariam a R$ 8 milhões, em caso de êxito. “Na conversa, o advogado Tomaz reclamou dos honorários, cobrou mais por tudo que estava oferecendo e falou que um terço do que cobrou foi pro Juliano Costa Couto, um terço foi para o André (Vieira) e o restante foi para alguém que não se lembra quem foi”. A remuneração para o procurador Ângelo Vilella teria ficado em R$ 50 mil mensais.

Citado no documento, o presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto, disse que ainda não teve acesso ao conteúdo completo das delações. Ainda assim, garantiu não ter exigido, recebido ou negociado qualquer valor. O advogado assegurou ainda que não contribuiu em nada para “a condução de fatos delituosos”.

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