Joaquim Barbosa foi mais Joaquim Barbosa que nunca ao condenar sumariamente o ministro da Justiça

Quem ele pensa que é para falar em nome dos brasileiros honestos?
Quem ele pensa que é para falar em nome dos brasileiros honestos?

 

E quando você pensa que se livrou de Joaquim Barbosa eis que ele reaparece a seu velho estilo – um deleite para os conservadores e analfabetos políticos brasileiros.

Agora ele se julgou no “direito e no dever” de exigir a demissão do ministro Cardozo, da Justiça.

Fez isso no Twitter, e recebeu aplausos dos revoltados e mentecaptos online.

Joaquim Barbosa foi mais Joaquim Barbosa que nunca em seu rito sumário contra Cardozo.

Ele se baseou numa reportagem do Globo segundo a qual o ministro teria dito a envolvidos no caso Petrobras que depois do Carnaval as coisas mudariam de rumo na Lava Jato.

Primeiro de tudo: desde quando uma reportagem do Globo deve ser objeto de fé cega?

O Globo, com seu fortíssimo viés antipetista, tem que ser lido com extremo cuidado, assim como a Veja.

Me vieram à mente cenas do Mensalão. Jamais esqueci um juiz que, para atacar o PT, dizia que sempre via um escândalo novo nos jornais e nas revistas – como se os editores não pudessem, simplesmente, fabricá-los ou, numa hipótese benigna, exagerá-los.

Joaquim Barbosa, como de costume, não ouviu a outra parte. Não quis saber o que Cardoso tinha a dizer. Condenou-o.

Em sua maneira tosca de se expressar, ele falou em nome dos “brasileiros honestos”. Ora, fale em nome de si próprio. Sou brasileiro, sou honesto e discordo inteiramente de Joaquim Barbosa.

Em seu Twitter, ele gosta de louvar os Estados Unidos. Parece que não aprendeu nada com o exemplo americano. Os juízes da Suprema Corte americana, ao contrário dos nossos, não se pronunciam sobre nenhum tema político – a não ser quando o assunto chega aos tribunais.

Faz parte da cultura jurídica americana. Cada poder no seu lugar.

No Brasil, com seu insuportável palavreado, muitos juízes do STF não se acanham em palpitar sobre assuntos políticos e até econômicos.

Um dos mais tagarelas, Gilmar Mendes, achou que podia sentar interminavelmente sobre uma questão política – o financiamento de campanhas – sem dar nenhuma satisfação à sociedade.

Joaquim Barbosa deve estar sentindo falta dos holofotes que o fizeram um herói da direita – dos Lobões e assemelhados — no Mensalão.

Um lugar de colunista na mídia pode devolver-lhe ao menos parte das luzes perdidas com a aposentadoria.

Tenho para mim que não tardará muito e ele se juntará aos Mervais, Jabores, Azevedos, Sheherazades et caterva. Não é pior que eles.

Provavelmente teremos que aturar Joaquim Barbosa por um bom tempo ainda.

Ele, Joaquim Barbosa, que a Veja num momento de burrice insana definiu como o homem que mudou o Brasil – sem haver conseguido mudar sequer a corte que comandou tão desastrosamente.