Nas barbas do STF, Cunha aparelhou o governo do golpe em todas as áreas chaves. Por Kiko Nogueira

Atualizado em 20 de maio de 2016 às 23:27
Eles
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Eduardo Cunha aparelhou o governo do interino depois de ter subjugado a Câmara nos últimos dois anos com seu time de evangélicos e bandidos variados (“é meu malvado favorito, um gênio”, nas palavras do picareta Marco Feliciano).

Na quinta, dia 19, em seu depoimento ao Conselho de Ética, ele mais uma vez mentiu na cara dura ao alegar que não tem ninguém na administração Temer.

“Não tem um alfinete indicado nesse governo por Eduardo Cunha. Agora, se as pessoas que são meus correligionários, se as pessoas com quem eu tenho convivência ocupam postos, isso não quer dizer foi Eduardo Cunha quem indicou. E, se indicasse, não teria nenhum delito nisso. Não estou suspenso no STF de falar com as pessoas ou de exercer a minha militância partidária”, declarou, referindo-se a si próprio na terceira pessoa.

Um clássico da falsa modéstia. A metástase segue firme e forte. Ele não vai parar de cobrar a fatura da aprovação do impeachment — nem se um dia for em cana.

Temer está na mão dele e admitiu isso numa reunião na Assembleia de Deus (onde estava presente, aliás, o pastor da Lava Jato que recebeu o passaporte diplomático de José Serra). “As tarefas difíceis eu entrego à fé de Cunha”, disse o ex-vice.

Na quarta, André Moura (PSC-SE) foi confirmado na liderança do governo na Câmara. Integrante da tropa de choque que tenta evitar a cassação do chefe,  Moura é aprovado pelo “centrão”, o bloco parlamentar que reúne 225 deputados de 12 partidos que dará sustentação às medidas econômicas de MT.

É réu em três ações penais no STF por desvio de recursos públicos. Também é investigado por tentativa de homicídio de um ex-aliado que virou inimigo político.

O ex-advogado de Cunha Gustavo do Vale Rocha assumiu o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República. O chefe de gabinete da Secretaria de Governo, Carlos Henrique Sobral, era seu assessor especial na presidência da Câmara.

O jornalista Laerte Rímoli, um delinqüente revoltado online, foi premiado, ao arrepio da lei, com a chefia da EBC, Empresa Brasileira de Comunicação, no lugar de Ricardo Mello.

Rímoli já foi condenado por peculato e tem uma folha corrida de pilantragens. Assessorou Cunha e controlou a TV Câmara. Em 2014, foi um dos coordenadores de comunicação da campanha suja de Aécio Neves.

O ministro da Justiça Alexandre de Moraes, espancador de estudantes como secretário de segurança de SP, advogou para Cunha e conseguiu sua absolvição no STF em uma ação por uso de documento falso.

No mesmo dia da mentira do alfinete, ele emplacaria mais dois: Felipe Cascaes e Erick Vidigal terão o mesmo cargo, de subchefes adjuntos da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

Cascaes era seu assistente técnico de gabinete. Já Vidigal é filho do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Edson Vidigal e autor de um artigo defendendo Cunha. Para ele, beneficiários de trusts não são necessariamente seus proprietários, papagaiada que o peemedebista repetiu em sua defesa no Conselho de Ética.

Enquanto Cunha estupra o país, o STF olha para o lado e assobia.