Negra, mórmon e estrela do Partido Republicano, Mia Love é o novo pesadelo de Obama

Atualizado em 5 de novembro de 2014 às 15:00
Mia Love
Mia Love

Publicado no Independent.

 

Como em muitas eleições, foi um dia de estreias. Pela primeira vez, haverá cem mulheres no Congresso dos EUA – e uma delas será Mia Love, a primeira congressista republicana negra.

Love, de 38 anos, parece destinada a tornar-se uma das caras novas de Washington, enquanto os republicanos procuram se livrar da reputação de partido de homens brancos velhos.

A mãe de três filhos falou na Convenção Nacional Republicana de 2012, em Tampa, na Flórida, quando ainda era a prefeita de Saratoga Springs, um pequeno satélite de Salt Lake City. Lá, ela sugeriu que sentia pouco parentesco político com Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

“A versão do presidente Barack Obama da América é a da divisão”, disse ela, “colocando-nos uns contra os outros com base em nosso nível de renda, gênero e status social.”

Love nasceu Ludmya Bourdeau no Brooklyn em 1975, filha de pais haitianos que fugiram da ditadura brutal de François “Papa Doc” Duvalier. Educada em Connecticut, ela se converteu do Catolicismo para o mormonismo pouco depois de se formar na faculdade, conseguiu um emprego como aeromoça e se mudou para Utah, sede da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Foi lá que conheceu o marido, Jason Love, que a levou para um estande de tiro para seu primeiro encontro. Os dois se casaram em 1998; Jason, um artista de palco talentoso, teria recusado um papel na Broadway porque conflitava com a data do casamento.

Seu primeiro contato com a política veio quando ela atuou como porta-voz da comunidade para convencer os promotores imobiliários a pulverizar regularmente os mosquitos que afligiam o bairro. De lá, ela foi trabalhar no conselho da cidade, e em 2010 foi eleita prefeita.

Love concorreu pela primeira vez ao Congresso em 2012 com o apoio do companheiro mórmon Mitt Romney, que na época estava em campanha para a Presidência. Ela foi derrotada pelo democrata Jim Matheson. Mas Matheson se aposentou este ano, e na terça-feira Love venceu seu rival democrata Doug Owens por mais de três pontos percentuais.

Sua ascensão é notável não só porque ela é uma mulher republicana negra, mas também porque ela é uma mulher negra em Utah, que possui menos de um por cento da população africano-americana. Ela também é uma negra na Igreja Mórmon, que tem três por cento de negros e enfrenta há tempos acusações de racismo. Não permitia que afro-americanos participassem de todas as atividades da igreja até 1978.

Os pontos de vista políticos de Mia Love foram moldados por seus pais, ela afirmou na Convenção Republicana de 2012. “Meus pais imigraram para os EUA com 10 dólares no bolso, acreditando que a América de que tinham ouvido falar realmente existia”, disse ela. “Quando os tempos ficaram difíceis, eles não olharam para Washington, mas para dentro de si mesmos”.

Uma conservadora ferrenha, ela declarou que luta por “disciplina fiscal, governo limitado e responsabilidade pessoal.”

Ela também é pró-armas, anti-aborto e anti-Obamacare. “Eu sou uma espécie de pesadelo para o Partido Democrata”, falou a um repórter durante a campanha no início deste ano. “Eles não me querem lá. Mas eu estou chegando”.