O assunto da semana é a chuva de purpurina em Bolsonaro. Por Carlos Fernandes

Bolsonaro em apuros
Bolsonaro em apuros

Esqueçamos por um momento a crise mundial, a queda internacional do preço do barril de petróleo, a bolsa chinesa que não para de desmoralizar a Mirian Leitão e até mesmo as boas notícias como a redução nas bandeiras tarifárias que farão os preços da energia elétrica caírem já a partir de fevereiro.

Talvez o assunto da semana seja o “beijaço” e a “chuva de purpurina” que integrantes de movimentos como o LGBTT e o Levante Popular da Juventude promoveram enquanto Jair Bolsonaro (PP-RJ) participava de uma cerimônia em sua homenagem na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Não sei exatamente em que um cidadão que defende a volta da ditadura militar, se orgulha de ser um dos maiores reacionários do país, menospreza a justiça brasileira disseminando homofobia e ameaça mulheres de estupro pode ser homenageado, mas se o governador do RS se vangloria de ter parcelado os salários dos funcionários de seu estado e a AL nada fez para defender o seu povo, alguma lógica deve haver nisso.

O fato é que o protesto é de extrema importância para o país uma vez que faz referência direta à dignidade humana, à luta pela igualdade de direitos e ao respeito e tolerância às minorias dessa nação.

Se me permitem abrir um parêntese, particularmente não sou adepto a protestos que ultrapassam a linha tênue do diálogo e descambam para ações que culminem em agressões físicas. Mesmo que seja simplesmente algumas gramas de porpurina em Bolsonaro ou cédulas de dólares falsos em Eduardo Cunha.

A reação dos simpatizantes de JB foi coerente com as suas idéias e mais do que previsível, partiram imediatamente para a agressão ferindo quem encontrassem pela frente, fossem os manifestantes ou os jornalistas que cobriam o evento.

Seja como for, o que Jair Bolsonaro – e aparentemente a Assembléia Legislativa do RS- precisam categoricamente compreender é que todas as pessoas possuem o direito constitucional de viverem as suas vidas de acordo com as suas concepções, escolhas e opções sem que isso seja qualquer motivo de vergonha ou inferioridade. Muito pelo contrário.

É justamente por sujeitos como JB que o Brasil ostenta estatísticas absolutamente vergonhosas em relação à violência contra homossexuais, fato que já nos colocou no topo da intolerância mundial.

Apesar de ainda não termos os números oficiais referentes a 2015, em 2014 um homossexual era agredido a cada hora no Brasil, enquanto outro era assassinado a cada dia.

Segundo os números da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDHPR), entre 2009 e 2013 o número de denúncias ligadas a crimes de homofobia cresceu 460%.

Esses dados demonstram apenas uma das feridas abertas na sociedade brasileira pela escalada fascista e intolerante que vem se formando nos últimos anos e que se materializou no Congresso Nacional mais conservador de toda a nossa história. Jair Bolsonaro, é claro, como o seu maior expoente, mas não só ele.

Por tudo isso, a importância de não só movimentos ligados à causa LGBTT, mas toda a sociedade, se erguer contra essa e tantas outras formas de intolerância que tanto nos diminuem e nos envergonham.

Não sei se a porpurina em Bolsonaro refletiu nele com tanta fidelidade como os dólares falsos em Cunha, mas uma coisa é fato, se refletisse, ele seria muito mais homem do que ele é agora.