O estranho elo entre a ração para pobres de Doria e a morte de 14 moradores de rua na “Missão Belém”

O biscoito à base de “farinata”

Publicado no E-Boca Livre.

POR CARLOS ALBERTO DORIA

Um gentil  leitor me chamou a atenção para uma matéria que ele leu no Estadão, datada de 19 de julho de 2017, sobre um abrigo para drogados e indigentes, numa instituição de religiosos católicos, em Jarinu, onde morreram 14 pessoas em um mês.

Desde 2011 a Missão Belém é investigada pelo Ministério Público e pela prefeitura de Jarinu. Ela funciona como uma “comunidade terapêutica” mas não tem licença para tanto, segundo as regras da Anvisa.

Os que morreram no período apresentavam quadro de diarreia e vômito, seguidos de desnutrição, desidratação e intoxicação alimentar.

Outros 19, internados com os mesmos sintomas, sobreviveram. As vítimas moravam no sítio da Missão Belem. Metade delas era de idosos e moravam no sítio há anos.

Do dia 03 a 18 de julho, o hospital de Clínicas de Campo Limpo Paulista recebeu 25 internos da Missão Belém“Se Deus decide levar, já não é problema nosso”,declarou o coordenador da instituição.

O padre Giampietro Carraro, fundador do grupo e que faz esse serviço inclusive no Haiti, não deu entrevista. A Arquidiocese de São Paulo informou que a Missão Belém é independente.

Tudo isso seria um simples e escabroso caso policial, não fosse a importância de que se reveste agora: a Arquidiocese e a Missão Belém estão, lado a lado, como colaboradores da Plataforma Sinergia, assim como a Prefeitura de São Paulo.

O que significa ser colaborador desse projeto? Ainda mais um abrigo de indigentes e drogados. Seria um campo de provas e experimentos?

Como pode a prefeitura de São Paulo se envolver com parceiros que não dispõem de licença para operar legalmente? O que os ditos “parceiros” estão fazendo para apurar a razão das mortes?

Eis ai um campo muito fértil para o jornalismo independente.

A sociedade está interessada em conhecer todos os laços da Plataforma Sinergia desde que o prefeito a trouxe para a esfera pública e pretende abraçar o seu projeto, inclusive abrindo-lhe as portas de escolas e creches. Nós, paulistanos, não queremos isso.

Ele não poderá faze-lo, sob pena de responsabilização, se beneficiar de alguma forma entidades inidôneas, envolvidas em mortes até agora misteriosas.

É mesmo urgente que a Câmara dos Vereadores aprove a CPI para apurar as verdades, envolvendo os apoios à Plataforma Sinergia.