O protesto do MPL que terminou pacífico no Butantã versus o “vandalismo” na Consolação. Por Pedro Zambarda

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Eu não ia cobrir o terceiro ato do Movimento Passe Livre esta quinta-feira, mas acabei parando no meio do protesto por um acaso. Tinha uma reunião à noite na região do Butantã e acompanhei os momentos finais da mobilização conduzida por estudantes secundaristas que partiu da Praça da Sé. Eles sentaram no chão e gritaram que iam pular as catracas, mesmo com os funcionários da Linha 4 em alerta e a presença ostensiva dos motoqueiros da ROCAM e da Tropa de Choque da PM.

Os jovens não se intimidaram, negociaram com o metrô e pularam as catracas. Fizeram isso sem quebrar nenhum vidro e nem depredar nada. Afinal, aquilo era um protesto.

A segunda frente de mobilização não teve a mesma sorte. Saídos do Largo da Batata, ao lado da estação Faria Lima de metrô, eles chegaram na Avenida Paulista. Chegando lá, a estação Consolação fechou e uma confusão entre funcionários e manifestantes deu início.

Abriram o local e algumas pessoas entraram, mas convocaram a Tropa de Choque da Polícia Militar. Foi desta forma que começou o estouro de três bombas, correria e oito prisões.

Os detidos foram encaminhados para o 78º distrito policial, nos Jardins. Seis foram liberados na madrugada, enquanto dois seguem presos por dano ao patrimônio público por uma vidraça quebrada na Consolação. Um deles só deve ser liberado com fiança no valor de um salário mínimo.

O incrível é que o noticiário da grande mídia voltou a ressaltar o “vandalismo” e não as ações da polícia nos protestos. No segundo ato, a PM chegou a disparar uma bomba a cada sete segundos. Neste terceiro, eles entraram no metrô para resolver um problema que foi causado dentro da estação Consolação, jogando bombas.

Na TV Globo, o Bom Dia SP suprimiu a informação do bate-boca entre manifestantes e funcionários do metrô, realçando só a vidraça quebrada. Outros telejornais seguem a mesma linha de argumentação. Relembram com precisão a quantidade das supostas depredações de manifestantes, mas não dão o devido destaque a duas mulheres grávidas que, durante o segundo ato, foram agredidas a chutes pela PM.

O jornal Diário de S.Paulo estampou a seguinte manchete, apelando ao puro sensacionalismo para atacar os manifestantes: “tem sempre um babaca para estragar”. A frase se referia à repressão dentro do metrô Consolação, não contando a realidade sobre a entrada violenta da polícia.

E o pior é que fazem isso sem mencionar que no Butantã terminou de forma pacífica no mesmo dia. Todos estavam tensos, achando que poderia rolar porrada dentro e fora do metrô. Nada acabou assim.

Teve pula catraca dos jovens manifestantes, que não pagaram passagem? Teve, mas também houve bom senso por parte de todo mundo.

Afinal de contas, para muitos ali – incluindo os próprios policiais – o valor de R$ 3,80 para as passagens de metrô, trens e ônibus é absurdo. E não há “vandalismo” que mereça tanto destaque na imprensa ao invés da ação repressiva do governo Geraldo Alckmin, aquele que só sabe resolver as coisas com a Tropa de Choque.

Quem está na rua vê quem são os verdadeiros vândalos em ação.