O que já é ruim vai ficar pior. Por Fernando Brito

Huguinho, Zezinho e Luisinho

 

Publicado no Tijolaço.

POR FERNANDO BRITO

 

Prepare o seu estômago para o que vem por aí.

Vamos colher nas próximas semanas os frutos asquerosos do processo iniciado em 2013 com a negação da política como ferramenta de expressão da sociedade e de definição da direção de seu movimento.

A maioria tende a achar, numa aplicação mecânica da ideia de que a superestrutura política responde automaticamente ao desempenho da base econômica de uma sociedade que isso se deve a ter começado ali a linha descendente da econômica brasileira.

Meia-verdade, apenas, porque o cenário de instabilidade política que se sucedeu às tais “jornadas de junho” – quatro anos atrás – deu ao poder econômico e às corporações judiciais e parajudiciais o sinal de que poderiam existir saídas extra-eleitorais para o processo de consolidação do regime com ares trabalhistas e nacionalistas no país.

O programa “moralizante” que se defendeu ali – recorrente desde sempre, veja-se o “mensalão” – foi se desdobrando na Lava-Jato, nas prisões a granel, no discurso feroz das eleições de 2014  e na percepção, pela quadrilha que nucleava o PMDB de que o governo eleito seria frágil e incapaz de resistir a uma ação sistemática de sabotagem, que o termo “pautas-bomba” traduzia à perfeição.

Com o que não se contava, neste processo, é que aqueles que deveriam ser ferramentas – Ministério Público e Judiciário – se tornassem personagens dotados de ambições próprias e graúdas.

Nenhum dos lados contava-se, sejamos justos. Dilma o encarava como aliado na ideia ingênua de que se poderia governar sem conceder á face obscura da política. A direita, por achar que eles estacariam sua marcha ao chegarem perto dos seus.

Não pararam e não vão parar, embora o sistema ainda seja capaz de obedecer, como o TSE mostrou ontem, aos cordéis de poder ainda remanescentes. Mas de maneira frágil, porque entre os três ministros do STF que integravam sua bancada, apenas Gilmar Mendes de dispôs a colocar freios à ferocidade que ele próprio – antes, quando Dilma era o alvo – tinha imposto ao processo.

Agora, no embate Janot x Temer que se tornou visível há três haverá um jogo de sujeira jamais visto nas relações jurídicas do poder, creiam.

É provável que tudo o que um lado venha a dizer – ou plantar, aos sussurros, na mídia – seja verdade. Mas vão acabar por exibir suas vergonhas em público, enquanto o país arde na descrença e volta a afundar na economia.

Ontem, como fizera antes o Itaú, o Bradesco baixou a zero sua previsão de crescimento do PIB.

Não é pior porque, no mundo, os “mercados” ainda parecem se lixar para os sinais negativos da política:  nova crise do Brexit e a fragilização política de Donald Trump.

Se a economia contamina a política, a infecção política, aliás uma septicemia política, instalada aqui não tem como deixar de contaminar uma economia já fortemente combalida.