O que significa Kim Kataguiri na Folha. Por Paulo Nogueira

Agora na Folha: Kim Kataguiri
Agora na Folha: Kim Kataguiri

E então a Folha anuncia a contratação de Kim Kataguiri como colunista semanal de seu site.

Como se o site do grupo – UOL mais Folha — estivesse desguarnecido de antipetistas. Você tem Josias de Souza, por exemplo. Ou Leandro Mazzini, que noticiou há mais de um ano um novo câncer em Lula que, se fosse verdadeiro, já o teria matado faz tempo. (Era no pâncreas, o mais rapidamente letal dos cânceres. Previsivelmente, nada aconteceu com Mazzini em relação a seu emprego no UOL, e ele sequer se desculpou pela espetacular barrigada.)

Bem, Kataguiri vem se juntar à Folha. Ele é tão sem noção que afirmou que sua contratação é um esforço da Folha para parecer “mais idônea”.

É uma oportunidade para refletir sobre o nível da direita no Brasil.

Kataguiri está escrevendo também para o site HuffPost Brasil, do qual a Abril é um dos sócios.

Li o artigo de estreia dele no HP. Ali ele diz bobagens e mentiras que são a marca da direita brasileira, cujos propagandistas no passado eram gente da estatura intelectual de Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen.

Kataguiri diz que o pai de Lênin era um “poderoso funcionário” do czar.

Ora, ora, ora.

De onde ele tirou essa estupidez? O pai de Lênin era um simples diretor de universidade, e não mais que isso. Tivesse algum poder e ele não teria enfrentado a tragédia de ver o filho Alexandre, irmão mais velho de Lênin, ser executado pelo governo czarista. (Foi um episódio vital na trajetória de Lênin.)

Kataguiri e outros do gênero repetem constantemente outra falácia sobre Lênin, uma segundo a qual ele teria instruído seus seguidores a fazerem aquilo que acusam os inimigos de fazer.

Você pode achar Lênin um monstro moral, mas ele era um intelectual brilhante e jamais diria uma coisa tão rasa e idiota como aquela.

Este tipo de coisa é frequente entre os conservadores brasileiros: a falta de compromisso com os fatos, algo decorrente da pouca leitura que os marca.

No obituário que escreveu sobre Margaret Thatcher, Reinaldo Azevedo afirmou que ela morreu “pobre”.

Não sei qual é o conceito de pobreza de Azevedo, mas Thatcher tinha ao morrer, entre outros bens, uma casa na região mais cara de Londres, Mayfair, avaliada em 40 milhões de reais.

A imprensa brasileira vem abrigando direitistas desse quilate em seus quadros. Não surpreende que a mídia venha perdendo eleições há tanto tempo.

Como influenciar as pessoas com um nível tão baixo de propagandistas?

Kim Kataguiri na Folha é mais numa longa lista de nulidades.