O sumiço inexplicado de Margrit, irmã de Mirian Dutra e funcionária fantasma de Serra. Por Kiko Nogueira

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Ela estava ao lado do Senado, mas não para trabalhar

 

O imbroglio Mirian Dutra/FHC trouxe de lambuja as desventuras da irmã de Mirian, Margrit Dutra Schmidt.

Margrit é funcionária fantasma do senador José Serra. Teria de cumprir nove horas de expediente, mas nunca foi vista pelos colegas.

Um chefe de gabinete de Serra forneceu uma desculpa cínica: “Ela trabalha para o senador como consultora. Ele solicita trabalhos e ela produz”.

O salário é de R$ 9.456,13. Serra veio com uma conversa absurda de que Margrit estaria envolvida em um “projeto educacional”.

Pediu a um repórter que não adiantasse o assunto porque se trata de algo sigiloso. “Conheço a Mag há muitos anos. Tenho relações pessoais e intelectuais”, afirma.

Como alguém iria “adiantar um assunto” se ele não existe? Que misteriosas “relações pessoais e intelectuais”?

A última vez em que se ouviu falar de Margrit ela estava na República Dominicana, coincidentemente no mesmo período em que João Santana esteve no país.

Desde então, sumiu.

Parêntese: o colunista Ricardo Noblat conseguiu dar mais um chute em sua longa carreira de cacetadas a esmo (como esquecer do fantástico “furo” sobre a morte “para as próximas horas” de Ariano Suassuna quando o pobre velhote já estava na UTI por um fio?)

De acordo com Noblat, ela será demitida. Até 2020, quem sabe, isso ocorra. Fecha parêntese.

Suas contas nas redes sociais foram apagadas. Margrit, como todos os infelizes que moram no Facebook, postava foto de suas viagens (inclusive a da Dominicana), da família, dos cachorros, da comida, de tudo enfim.

É uma típica revoltada on line. Tremendo 171, há 15 anos na maciota com chefes tucanos, vivia gritando contra a corrupção, os petralhas e o escambau.

É uma mulher rica. Foi casada com um antigo lobista de Brasília, Fernando Lemos, amigo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo o jornalista Palmério Doria, Lemos foi o operador das tentativas de suborno do governo para tentar melar a reportagem sobre Mirian Dutra da “Caros Amigos” em 2000.

Primo de Roberto Campos, figura folclórica, Lemos também teria intermediado a jogada para a Brasif pagar Mirian no emprego de mentirinha no exterior. Morreu em 2012 com seus segredos e suas pilantragens.

Serra, embora não pareça, está bem vivo e deve explicações, mas elas não lhe serão cobradas. Entre outras coisas, o feroz opositor do ajuste fiscal e dos cortes públicos sustenta uma senhora com dinheiro público.

Senhora essa que sabe Asmodeu onde estará, mas que ninguém deverá se surpreender se não estiver morando mais no Brasil.