O vigor da democracia na reação das redes sociais à censura sofrida pelo DCM. Por Kiko Nogueira

A carga do helicóptero

 

A decisão que impede o DCM de usar o apelido pelo qual ficou famoso o helicóptero do senador Zezé Perrella apreendido com cocaína só pode ser qualificada como censura.

A juíza Gabriela Jardon Guimarães de Faria, que concedeu a liminar, aponta em seu despacho que, “a proibição de que a mesma [expressão ‘helicoca’] não seja, por ora, mais utilizada nas publicações de autoria dos requeridos é perfeitamente executável para eles, que podem (e devem) continuar a exercer o seu munus jornalístico no relato do episódio, sendo este o caso, mas com desprezo à expressão e eleição de outras em substituição”.

O caso foi coberto extensivamente por nós. Através de uma campanha de crowdfunding, fizemos uma série de reportagens e um documentário.

O nome pegou e ficou. O assunto é de interesse público e o apelido da coisa é de domínio universal.

Numa outra ação, Perrella pediu “a retirada de todo conteúdo” do DCM referente ao episódio, a exclusão de matérias na busca do Google e do vídeo do YouTube. O juiz Cleber de Andrade Pinto negou liminar.

“Por fim, é fato notório que o requerente foi flagrado em interceptações telefônicas se auto-intitulando traficante de drogas”, pontuou.

No ano passado, a presidente do STF, Cármen Lúcia, afirmou que “a imprensa é livre até como uma exigência constitucional para se garantir o direito à liberdade de informar, e do cidadão ser informado para exercer livremente a sua cidadania. Portanto, eu vou dar cumprimento ao que o Supremo já decidiu reiteradamente: cala a boca já morreu”.

O ataque a valores básicos atinge toda a sociedade.

Em tempos sombrios, a reação das redes sociais foi uma lufada de ar fresco. O assunto ficou entre os mais comentados do Twitter ao longo de mais de seis horas.

A solidariedade e a zoeira imperaram. Convido você a degustar a criatividade e o vigor da democracia.

O DCM não vai recuar de fazer o que vem fazendo: jornalismo. Em respeito à Justiça, vamos lutar pelo direito de informar.

Quatro anos depois que meia tonelada de pasta base de coca foi achada na aeronave de um político aliado de Aécio Neves, ninguém foi preso. Histórias como essa precisam ser contadas.

É para isso que servimos e em nome disso que continuaremos.