Para os Kataguiris, Bicudo é vítima da mídia. Por Leo Mendes

O ex-jurista
O ex-jurista
Que a mídia tradicional, ou seja, concessões públicas de tevê e rádio, jornalões e revistas de papel decadentes, está obscenamente na mão de cinco ou seis famílias há décadas,  acredito que quase todos já saibam.
Que a reserva de mercado a impedir novos modelos para a comunicação é uma mamata pornográfica a serviço dessas famílias, costurada entre generais e barões da mídia amigos durante a ditadura militar e nunca alterada, talvez seja algo um pouco menos óbvio.
Porém o que acredito que poucos estejam preparados para assimilar é o novo vídeo do Movimento Brasil Livre com o (ex?) jurista Hélio Bicudo, precedido por um texto, que, bom, as palavras falam por si:
“A IMPRENSA MOSTRA A SUA CARA… e ela é petista! Setores da imprensa, Globo, Folha, Estadão, comportam-se de maneira vexatória, tal qual soldadinhos do governo”.
Pausa. Parem o mundo, convoque o seu Buda!
A revista Época é petista? O William Wack e o Jornal da Globo, o noticiário da Globo News? Os Frias e os Mesquitas?
Confesso que fiquei com medo de que a Veja fosse citada.
Chegaram a essa conclusão a partir das perguntas feitas por vários repórteres a Bicudo sobre a situação de Eduardo Cunha, quando, segundo o MBL, deveriam perguntar apenas sobre o impeachment de Dilma.
As respostas de Bicudo sobre Cunha são um capítulo de vergonha alheia à parte, mas basicamente ele diz que “separa a pessoa física da jurídica”, seja lá o que isso signifique.
E foge de uma resposta mais direta, do tipo sim ou não à pergunta “Cunha deve deixar a presidência da Câmara?”,  quase como a senhora de Goiás flagrada batendo o ponto e indo embora.
Quanto aos kataguiris, há algo de muito errado com eles, e talvez não seja apenas no aspecto clínico.
É realmente impossível para mim acreditar que eles acreditem no que escreveram, porém, caso, de fato, liguem a tevê na Globo e vejam uma emissora petista bolivariana, nada resta a fazer além de perguntar: queridos, vocês esqueceram de tomar os seus remédios?
Ou talvez: quer dizer então que são favoráveis à regulamentação e democratização da mídia? Quem sabe um modelo como o inglês, sueco, norte-americano?
Fiquei mesmo curioso.
Agora que já tem até barba, qual seria a proposta de Kim Kataguiri ou Fernando Holliday para modificar a mídia brasileira?
O MBL no texto fala apenas em “cada vez menos dinheiro estatal”, mas esse é o mantra que repete para problemas do esgoto à bomba atômica.