Professores e alunos denunciam sumiço e retenção de material escolar nas escolas. Por Mauro Donato

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  • “Reter material escolar e outros equipamentos é praxe em escolas públicas”;
  • “Já trabalhei em escola e o pensamento que prevalece é: ‘vamos guardar isso porque se deixar na mão dos alunos esse equipamento novo não dura um dia’”;
  • “Essa é a triste realidade e professores, coordenadores e direção são cúmplices dessa ação”;
  • “Sou professora da rede municipal de uma prefeitura que está nas mãos do PSDB, só posso tirar 200 cópias por mês, tenho 30 alunos, não dá pra nada, então compro a tinta com meu dinheiro para tirar as cópias em casa, tem mês que peço sulfite e eles não entregam, tenho que pedir para amigos”;
  • “Já presenciei várias escolas das redes públicas estadual e municipal que sonegam o acesso a professores e alunos ao material que é essencial para a aprendizagem”;
  • “Nunca distribuem. Trabalhei numa escola municipal da periferia aqui em Salvador, estava presente na hora em que chegou toda a coleção de Ziraldo, isso foi em 2008, saí de lá em 2010 e a coleção continuava intacta no mesmo lugar, numa sala que ninguém podia entrar”;
  • “Isso é velho. Os mestres já sabiam, mas fazer o que, já que dirigentes de Diretorias de Ensino são escolhidos pelo partido, por indicação, não há concurso público para tal cargo. Sei o que escrevo, recusei uma oferta para tanto”.

 

Foram centenas de comentários de professores, ex-alunos e pessoas ligadas às instituições de ensino que corroboraram a denúncia feita pelos estudantes das escolas ocupadas e veiculada pelo DCM. Todos confirmaram que isso é prática histórica, que a ordem é não entregar mesmo.

Na ocasião, em resposta ao DCM a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação alegou, entre outras coisas, que as fotos poderiam ser uma ‘montagem’.

De lá pra cá, a coisa só piora a cada vez que tentam se explicar.

Na televisão, o chefe de gabinete Fernando Padula não desconfiou de truques de photoshop mas afirmou em entrevista que era preciso averiguar aquele material pois poderia ter vindo de outras escolas ocupadas apenas para fazer volume. Como se os alunos tivessem caminhonetes à disposição para ficar rodando da zona leste para zona oeste, norte, sul carregando toneladas de livros.

O blog de Luis Nassif também repercutiu a matéria do DCM e questionou a Secretaria de Educação. “Eu não sei se isso pode ser uma montagem, uma mentira”, foi a resposta ao jornalista que tinha enviado outras fotos de outras escolas.

Mas como quem está pressionado quase sempre acaba soltando a língua, dona Cleide deu mais uma contribuição à grande e variada lista de materiais que ia de instrumentos musicais a artigos esportivos, de apostilas a utensílios de laboratório. Em sua coluna do último domingo, o jornalista Elio Gaspari teceu elogios aos estudantes da E. E. Fernão Dias pelas mesmas razões que todos já fizemos. Cidadania, democracia etc.

No dia seguinte, Cleide Bauab Eid Bochixio, que vem a ser a atual Secretária da Educação (em exercício, uma vez que a pasta permanece sem dono desde a queda de Herman Voorwald), respondeu ao jornalista criticando-o por desconsiderar a “complexidade” do quadro e aproveitou para denunciar que “além dos danos apontados pelos próprios alunos, sumiram telescópios, luneta, notebook, televisor e projetor de imagem”.

Então tinha mais tudo isso? E os alunos tinham acesso ou se trata de mais uma listinha de objetos proibidos? Quando eram utilizados telescópios e lunetas em uma escola estadual? Há aulas de astronomia assim na prática, sob este céu límpido de São Paulo? O projetor era utilizado em dinâmicas de grupo?

As desculpas esfarrapadas e explicações fantásticas somadas a confissão de dona Cleide são tão perturbadoras quanto meu primeiro contato visual com as pilhas de materiais.

A resistência dos alunos mostrou que muita precisa ser modificada. A julgar pelas respostas que temos visto das autoridades, a briga vai longe.

 

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