Em nome da barbárie: Rachel Sheherazade está torcendo para que haja linchamentos?

 

Ela veio em toda sua costumeira irracionalidade, com a ira santa e o mandato divino que ninguém lhe conferiu.

Rachel Sheherazade resolveu defender os jovens da Zona Sul do Rio que espancaram e prenderam num poste, pelo pescoço, com uma trava de bicicleta, um adolescente suspeito de crimes na região.

Eles fazem parte de um grupo de justiceiros que marcam encontros no Facebook para “patrulhar o Aterro em busca de potenciais autores de delitos”, segundo a polícia.

“É que a ficha do sujeito – ladrão conhecido na região – está mais suja do que pau de galinheiro”, disse Rachel no SBT. “Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”.

Compreensível??

“O Estado é omisso. A polícia, desmoralizada. A Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem, que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, claro! O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.

Legítima defesa onde??

Não há nenhuma justificativa legal para essa barbárie. Se a intenção era bater, mas não matar, é lesão corporal. O Código Penal prevê o seguinte: “Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite: detenção, de 15 dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência”.

No Twitter, ela respondeu a seus fãs: “Esse pessoal DH  [Direitos Humanos] defende o marginal ‘vítima da sociedade’, mas não abre a boca pra defender a sociedade vítima do marginal!” Evangélica, mencionou a Bíblia algumas vezes.

É o samba do crioulo doido fascista. Saudade do Esquadrão da Morte? Ela quer a criação de novas milícias? E se alguém morrer por causa desses justiceiros? Na falta de um policial mais próximo, mate você?

“As pessoas devem ter conhecimento antes de agir, e não há nenhum educador comparável à imprensa”, dizia Ida B. Wells, jornalista e ativista negra americana, pioneira nos estudos e denúncias dos linchamentos nos Estados Unidos.

Sheherazade, deseducando seu público, quer ver sangue para dizer, mais tarde, que estava escrito no Livro de Juremar, capítulo 756, versículo 893 — ou simplesmente lavar as mãos.