
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, criticou duramente os Estados Unidos por suas tentativas de exercer controle sobre a Groenlândia. Durante uma entrevista publicada por veículos de imprensa europeus, Barrot afirmou que os EUA devem “parar com a chantagem” em relação ao território autônomo da Dinamarca, que foi mencionado pelo presidente Donald Trump como um ponto estratégico para a Rússia e a China.
Barrot também destacou que, apesar de Trump ter sugerido uma intervenção militar para ocupar a Groenlândia, tal ação “não seria justificável”.
Barrot reforçou que a Groenlândia é um território europeu, protegido pela OTAN, e que a França e outros países europeus têm meios poderosos para defender seus interesses na região. O ministro também mencionou a recente tensão política em torno da ilha, que ganhou importância estratégica devido ao derretimento do gelo ártico, facilitando o acesso a recursos minerais e novas rotas marítimas.
A declaração de Barrot seguiu uma fala controversa de Trump, que na sexta-feira alertou que a Rússia e a China poderiam ocupar a Groenlândia caso os Estados Unidos não agissem para impedir. Trump afirmou que tomaria providências “por bem ou por mal”, gerando reações adversas, principalmente entre os políticos e líderes europeus, que consideram tal postura uma tentativa de intimidação.
We don’t “need Greenland.”
We need healthcare, social security, education, jobs & affordability. pic.twitter.com/jA6FwDLIOc
— Morgan J. Freeman (@mjfree) January 5, 2026
A Groenlândia, que conquistou sua autonomia em 1979 após ser uma colônia dinamarquesa até 1953, manteve acordos de defesa com os Estados Unidos desde 1951. O acordo garante que os EUA possam atuar no território groenlandês com pouca supervisão local, mas Barrot considera que a “chantagem” dos EUA não faz sentido em um cenário onde a autonomia do território é respeitada pela Dinamarca e seus parceiros internacionais.
Após as declarações de Trump, os líderes dos cinco partidos no Parlamento da Groenlândia responderam com firmeza, afirmando que não querem ser controlados por nenhuma nação estrangeira. “Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”, disseram os parlamentares, destacando o desejo de manter a independência do território.