10 motivos pelos quais Flávio Bolsonaro não abrirá o sigilo

Atualizado em 22 de outubro de 2026 às 12:19
Flávio Bolsonaro durante debate na Band. Foto: Renato Pizzutto/Band

Os bolsonaristas têm ainda menos argumentos do que jamais tiveram para defenderam Flávio Bolsonaro: o candidato que escolheram – a esta altura, está provado, por puro mau caratismo – se recusa abrir seu sigilo bancário e telefônico, como o presidente Lula já fez. Nenhum bolsonarista cobra transparência do próprio candidato, já que não votam contra a corrupção, votam porque concordam com o bolsonarismo e seus absurdos.

Flávio não abrirá o sigilo, e ele tem motivos de sobra pra isso – além de perder a eleição, provavelmente perderia o casamento e a liberdade.

1. Rachadinhas: o candidato do PL foi o principal alvo político da investigação sobre as chamadas “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo as investigações, há suspeitas de desvio de dinheiro público a partir do salário dos funcionários de Flávio – uma das principais controvérsias políticas e judiciais relacionadas à família Bolsonaro. Não é pouca coisa: o candidato é acusado de liderar um esquema em que assessores parlamentares devolveriam parte de seus salários. Se abrisse o sigilo, quantas informações até então não apuradas na investigação viriam à tona?

2. Dark Horse: Eu li o roteiro do filme, e só escrever aquilo deveria ser considerado crime, mas as suspeitas são infinitamente mais graves: a origem do dinheiro usado para produzi-lo pode estar relacionada a recursos públicos desviados para financiar a produção. As acusações incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos. Que o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro seria horrível não é novidade, mas falta ainda muita coisa a ser descoberta – e certamente seria, se Flávio abrisse o sigilo.

3. Vorcaro: o querido está, portanto, segundo áudios descobertos pela PF, metido até o pescoço no caso do Banco Master. Flavio negociou financiamento do tal filme com o banqueiro, segundo as informações divulgadas e declarações do próprio senador. As investigações apontam que teria sido negociado um aporte de até 130 milhões para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Aqui na Bahia gostamos de entoar um lindo grito de guerra: Flavio Bolsonaro é a p*tinha do Vorcaro. Adoro.

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e Jim Caviezel nas gravações de “Dark Horse”. Foto: reprodução

4. Queiroz e provas anuladas pelo STJ e STF: Fabrício Queiroz movimentava valores exorbitantes enquanto assessor no gabinete de Flávio na Alerj. A suspeita era que o ex policial atuasse como intermediário das rachadinhas. Em 2020, o MP-RJ denunciou Flávio Bolsonaro, Queiroz e outros assessores pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa. A denúncia foi rejeitada e provas foram anuladas, levantando suspeitas acerca da idoneidade Do STJ e STF, que estará nas mãos do candidato, se eleito. Provas invalidadas e inquérito arquivado – como? Os tribunais e o candidato deveriam responder, mas seguimos esperando.

5. A fantástica fábrica de chocolates: Segundo o MP, uma franquia da Kopenhagen da qual Flávio era sócio movimentou aproximadamente R$ 1,6 milhão – que chocolatinho caro, hein, Flávio? – e o montante que poderia estar relacionado à suposta lavagem de dinheiro. A defesa de Flávio disse que depósitos em espécie são normais no comércio varejista e que períodos como Páscoa e Natal podem aumentar as vendas. Senta lá, Claudia.

6. Imóveis em dinheiro vivo: As operações imobiliárias de Flávio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, movimentavam valores obscenos pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo. Lavagem de dinheiro que chama? Para o Ministério Público, sim.

7. A ilha de Richarlison: O jogador Richarlison jogou a m*rda no ventilador ao revelar que sua propriedade de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), foi desapropriada depois de o senador demonstrar interesse em compra-la e o jogador se recusar a vendê-la. Essa gente não admite ouvir não. O também senador e Willer Tomaz teria se beneficiado de procedimentos que transferiram os direitos de ocupação para o grupo do advogado. Willer é amigo íntimo de Flávio, e, segundo e-mails obtidos pela Polícia Federal, o senador estava vinculado a uma conta bancária relacionada ao advogado. Procurada pela BBC News Brasil sobre o caso Willer Tomaz, a defesa de Flávio não respondeu – só pra variar. O atacante acusa o senador de ter se aliado ao advogado para tirar dele os direitos sobre o imóvel. Maracutaia na justiça pra tomar a mansão de um jogador de futebol: era só o que nos faltava.

A mansão em Angra dos Reis. Foto: Reprodução

8. A sala secreta: Numa sala escondida atrás de um painel de madeira, em um hangar ligado ao advogado Willer Tomaz, a Polícia Federal encontrou uma máquina de contar dinheiro, estantes e uma mala vazia. Flavio já confessou ser amigo íntimo de Willer, e também é investigado em apuração relacionada a movimentações financeiras e a empresas ligadas ao advogado. Suspeito, para dizer o mínimo.

9. Emendas parlamentares no caso Marielle Franco: Segundo a PF, Flávio Bolsonaro destinou cerca de R$ 200 mil em emendas parlamentares em 2023 para o projeto esportivo “Jogadores do Futuro” após articulação entre sua assessora Maria de Fátima Bezerra e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. Como se não bastasse, já prestou condecorações a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como miliciano e líder do “Escritório do Crime” e assassinado em 2020. Quem mandou matar Marielle? A pergunta ecoa até hoje.

10. O escândalo das Bets: o amigo de Flávio, Willer Tomaz, é o sócio ostensivo da BestBet e o principal alvo da investigação contra lavagem de dinheiro. A rede Loto, empresa da qual Tomaz e seus familiares são acionistas majoritários, teria pago vôos de Flávio Bolsonaro – e isso é só o que temos até agora. As acusações são recentes e muita coisa ainda precisa ser apurada – o que surgiria daí se o presidenciável abrisse o sigilo?

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução
Nathalí Macedo
Nathalí Macedo, escritora e colunista baiana com 15 anos de experiência e 3 livros publicados: As mulheres que possuo (2014), Ser adulta e outras banalidades (2017) e A tragédia política como entretenimento (2023). Doutora em crítica cultural. Escreve, pinta e borda.