100 mil crianças sofrem assédio sexual nas redes sociais, diz relatório da Meta

Atualizado em 22 de janeiro de 2024 às 22:49
Logos dos aplicativos da Meta. Foto: Dado Ruvic/REUTERS

Documentos da Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, indicam que aproximadamente 100 mil crianças e adolescentes são expostos diariamente a conteúdo sexual, incluindo fotos de órgãos genitais. A informação foi revelada pelo jornal britânico The Guardian.

O relatório interno, datado de 2021, veio à tona em um processo movido pelo estado do Novo México, nos Estados Unidos, que acusa as plataformas da Meta de recomendarem conteúdo sexual a usuários menores de idade. Um dos casos teria envolvido a filha de um executivo da Apple, além de outra ocorrência relacionada à filha de um funcionário da Meta.

“Ela e seus amigos começaram a ter experiências terríveis, incluindo repetidas investidas sexuais indesejadas e assédio”, disse Arturo Béjar, ex-diretor de engenharia da Meta. “Ela relatou esses incidentes à empresa e não foi feito”, acrescentou.

A ação judicial também acusa a empresa de Mark Zuckerberg de promover perfis de menores para potenciais pedófilos.

Funcionários da empresa indicam que, a partir do relatório interno, identificaram que o algoritmo responsável por recomendar perfis, chamado de “Pessoas que você talvez conheça”, estava conectando crianças a possíveis assediadores.

De acordo com o processo revelado pelo The Guardian, há evidências de que a descoberta já havia sido apresentada aos executivos da Meta, que teriam rejeitado a ideia de alterar o algoritmo.

Comentários anexados ao relatório sugerem preocupação de um funcionário sobre medidas específicas para proteger as crianças. O funcionário recebeu a seguinte resposta: “Algo entre zero e insignificante”.

A falta de ação da plataforma em relação a esses casos também destaca a ausência de medidas eficazes para denunciar ou detectar a utilização das plataformas no tráfico de crianças.

A Meta se manifestou sobre o vazamento dos documentos por meio de uma nota. “Nós queremos que os adolescentes tenham experiências online seguras e apropriadas para a sua idade. Temos mais de 30 ferramentas para apoiá-los e a seus pais. Passamos uma década trabalhando nessas questões e contratando pessoas que dedicaram suas carreiras para manter os jovens seguros e apoiados online”, disse.

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