
Dezoito ex-integrantes do gabinete e auxiliares do governo de Jair Bolsonaro (PL) cumprem pena, respondem a processos ou são investigados pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas à gestão de 2019 a 2022 e a fatos posteriores. O grupo reúne ex-ministros, comandantes militares, dirigentes de órgãos públicos e aliados do ex-presidente.
Nove nomes da administração Bolsonaro foram condenados pela tentativa de golpe de Estado: o próprio ex-presidente, Walter Braga Netto, Paulo Sérgio de Oliveira, Augusto Heleno, Anderson Torres, Almir Garnier, Alexandre Ramagem, Silvinei Vasques e Mauro Cid. As penas alcançaram militares de alta patente e ex-integrantes da cúpula civil e militar do governo.
Bolsonaro e Heleno cumprem pena em prisão domiciliar. Braga Netto está preso em uma unidade militar no Rio de Janeiro, enquanto Paulo Sérgio de Oliveira e Garnier permanecem em unidades militares em Brasília. Anderson Torres e Silvinei Vasques cumprem pena na Papudinha, e Cid está em regime aberto após a redução de pena vinculada à colaboração premiada.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, está nos Estados Unidos e é considerado foragido. Todos os condenados citados negam participação em uma trama golpista ou sustentam que não agiram para romper a ordem democrática.

Ex-ministros enfrentam inquéritos e ações por suspeitas distintas
Ciro Nogueira e Fábio Faria são investigados pela Polícia Federal em apurações que envolvem Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A investigação apura, entre outros pontos, uma suposta mesada de R$ 500 mil a Ciro; o senador afirma que a operação tentou manchar sua honra. Faria nega irregularidades e diz que suas atividades tiveram caráter privado.
Eduardo Pazuello responde a uma ação de improbidade administrativa sobre sua condução do Ministério da Saúde durante a pandemia de Covid-19.
O Ministério Público Federal atribui ao general da reserva dano de R$ 122 milhões aos cofres públicos, sob a acusação de que ele deixou de adquirir vacinas em 2020 e priorizou medicamentos sem eficácia comprovada. Pazuello afirma que agiu corretamente e diz que a Advocacia-Geral da União conduz sua defesa.
José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência, foi indiciado pela Polícia Federal por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva no esquema de descontos ilegais contra aposentados do INSS. Ele nega participação nas fraudes e qualquer ligação com entidades investigadas.
Outros processos envolvem Milton Ribeiro, réu em ação por homofobia; Pedro Guimarães, réu por assédio sexual; Mário Frias, investigado por suspeitas ligadas a emendas destinadas a entidade associada ao filme “Dark Horse”; e Marcelo Xavier, condenado por perseguição a servidores e indígenas.
No STF, Ricardo Salles e o ex-presidente do Ibama Eduardo Bim respondem à ação penal sobre exportações de madeira; em alegações finais, o procurador-geral da República pediu a absolvição de Salles por falta de provas e manteve a acusação contra parte dos réus.