
Wesley Batista Souza, de 23 anos, nasceu e foi criado na periferia de Salvador, no bairro de Cajazeiras, e acaba de alcançar um feito extraordinário: foi aprovado em 1º lugar no curso de Medicina da USP em Ribeirão Preto, uma das universidades mais prestigiadas do país.
Filho de Djalma Souza Batista, pedreiro, e Liliana Maria de Jesus, doméstica atualmente desempregada, Wesley cresceu em uma casa simples, construída pela metade, onde mora com os pais e mais três irmãos. Ele será o primeiro da família a cursar uma universidade.
Sem computador e sem internet banda larga em casa, Wesley estudou com livros da escola pública e um celular antigo, utilizando videoaulas disponíveis no YouTube. A rotina incluía acordar por volta das 5h e estudar até às 23h, muitas vezes na mesa da cozinha.
Muitas vezes, Wesley estudava durante a madrugada e dormindo em cima dos livros. Caminhava 30 minutos a pé para chegar à escola, duas vezes por dia, de manhã e à tarde, aproveitando os computadores do colégio para fazer simulados do Enem.

O sonho de ser médico surgiu cedo, fruto de sua convivência com o sistema público de saúde. Desde pequeno, Wesley sofria de asma e passou muitas horas em hospitais. Ele conta que, ao observar os profissionais da saúde, começou a se imaginar ali, de jaleco branco, ajudando outras pessoas como um dia foi ajudado. A vivência constante nos corredores hospitalares despertou nele a vocação: cuidar, salvar e transformar vidas.
Sua rotina de estudos rendeu frutos: no Enem, Wesley gabaritou três das quatro áreas da prova, acertou todas as questões de Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Com esse desempenho, conquistou uma vaga no curso mais concorrido da instituição, pelo Sisu.
Apesar da USP ser pública e oferecer moradia e alimentação para alunos de baixa renda, a mudança para São Paulo exigia recursos que sua família não tinha. Para cobrir os custos iniciais, Wesley criou uma vaquinha online. A resposta foi imediata: em poucos dias, arrecadou R$ 95 mil.
Ele pretende voltar à sua comunidade no futuro como médico, atuando na saúde pública e abrindo caminhos para outros como ele. Ele mesmo resume: “Sou o exemplo do que a educação pode transformar”.