1º de abril: relembre nove fake news que marcaram o cenário político do Brasil

Bolsonaro e sua cartilha do kit gay: fake news

Publicado originalmente no Brasil de Fato

POR CRIS RODRIGUES

As eleições presidenciais de 2018 foram marcadas pelas chamadas fake news, a disseminação de notícias falsas, que causaram muita confusão nos eleitores e influenciaram o resultado do pleito. Ainda em outubro, a Folha de S.Paulo denunciou a existência de um esquema milionário e ilegal de financiamento de fake news por empresas apoiadoras da campanha de Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência pelo PSL.

No Dia da Mentira, para lembrar da importância de se checar sempre a fonte da informação para não compartilhar notícias falsas, separamos algumas das fake news que mais repercutiram em 2018.

  1. Kit gay e livro exibido por Bolsonaro no Jornal Nacional

Uma das fake news mais disseminadas em 2018 já circulava pelas redes sociais quando foi reforçada por Jair Bolsonaro. O então candidato a presidente pelo PSL mostrou o livro “Aparelho Sexual e Cia” em entrevista ao Jornal Nacional, em 28 de agosto de 2018, afirmando que ele faria parte de um “kit gay” distribuído a escolas durante os governos petistas.

O livro nunca foi distribuído nas escolas e o kit gay não existia, mas o estrago foi feito.

  1. Mamadeira de piroca

Um vídeo mostrando uma mamadeira com bico em formato de pênis foi publicado em páginas e grupos das redes sociais. Junto com ele, estava a informação de que o objeto teria sido distribuído nas escolas e creches de São Paulo por determinação do ex-prefeito Fernando Haddad, então candidato a presidente da República. A mamadeira mostrada no filme é, na verdade, um brinquedo erótico vendido em sex shops.

  1. Jean Wyllys: ministro de Haddad

Uma das fake news com maior número de compartilhamentos era uma montagem de uma matéria do G1 afirmando que Haddad teria convidado Jean Wyllys para ser seu ministro da Educação. A matéria não existia e o convite não tinha sido feito.

  1. Frase de Haddad sobre decisão do Estado sobre crianças

Uma frase atribuída a Haddad afirmando que ao completar cinco anos a criança passa a ser propriedade do Estado e que cabe a ele a decisão sobre se ela será menino ou menina foi amplamente compartilhada durante o processo eleitoral. A frase era falsa.

  1. Agressão de Ciro Gomes a Patrícia Pillar

A atriz Patrícia Pillar teve que gravar um vídeo para desmentir a afirmação falsa que circulava nas redes sociais, em uma montagem com sua foto, de que o então candidato a presidente e seu ex-marido, Ciro Gomes, a agredia.

  1. Marielle Franco ligada a facção criminosa

Nem a memória da vereadora assassinada Marielle Franco foi respeitada em 2018. A informação de que ela teria vínculo com uma facção criminosa e seria casada com um narcotraficante circulou como forma de deslegitimar sua luta e enfraquecer as reivindicações pela busca aos seus assassinos. O deputado federal Alberto Fraga reproduziu a fake news em sua conta no Twitter e em seguida apagou o tweet.

  1. Manuela D’Ávila com a camiseta “Jesus é Travesti”

Na onda das imagens adulteradas, a então candidata a vice-presidenta Manuela D’Ávila foi uma das maiores vítimas. Ganhou força nas redes sociais uma foto em que ela usava uma camiseta com a frase “Jesus é travesti”. A imagem original era com a frase “Rebele-se”. Também circulou uma foto adulterada em que ela aparecia com olheiras e tatuagens falsas. Manuela desmentiu as duas.

  1. Aposentadoria de Bolsonaro por insanidade

A lei determina que, ao assumir um cargo eletivo, o militar seja transferido para a reserva, o que aconteceu com Bolsonaro em 1988, quando foi eleito vereador. Mas em 2018 circulou nas redes uma versão diferente: ele teria se aposentado do Exército por insanidade mental aos 33 anos. O Exército desmentiu a fake news.

  1. Obras de Fátima Bernardes na casa do homem que esfaqueou Bolsonaro

Circulou no Facebook a informação de que o programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo, teria reformado a casa de Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro durante a campanha à Presidência da República. A reforma não aconteceu e não foi exibida no programa, como dizia a fake news. A apresentadora publicou um vídeo em suas redes sociais desmentindo a notícia.

  1. Senhora agredida por ser eleitora de Bolsonaro

Circulou uma foto de uma senhora com o rosto inchado como se estivesse cheio de hematomas e a informação de que ela teria sido agredida por ser eleitora de Bolsonaro. A imagem, na verdade, era da atriz Beatriz Segall após ter sofrido um acidente alguns anos antes. A atriz morreu em setembro de 2018.

 

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