Áudio de dono de operadora de saúde no Brasil revela a gravidade da pandemia

Coronavírus. Imagem: Xinhua/Xiao Yijiu
POR LUIS NASSIF

O áudio é de Fernando Parrillo, um dos proprietários da operadora de saúde Prevent Senior, onde morreu a primeira vítima do coronavirus.

Foram coletados exames em 365 pessoas. Nos seus hospitais há 50 internados, 30 em UTI e, desses, 20 entubados.  O restante está sendo atendido em domicílio.

O plano tem uma boa base de dados do histórico dos pacientes e, a partir delas, conseguiu identificar o desenvolvimento da coronavirus. Ela danifica muito rapidamente o pulmão, que fica fosco e as bordas se unem. Com isso, quem tem doença de base – hipertensão, diabetes etc -, com pulmão afetado fica muito difícil reverter o quadro, e acaba afundando em outras doenças. E tudo acontece de forma muito rápida.

O plano já teve 6 óbitos com as mesmas características. Como a causa apresentada são as outras doenças, as estatísticas acabam prejudicadas, virá óbito normal. E, segundo Parrillo, é o que irá acontecer nos levantamentos nacionais, devido às próprias características da pandemia. Irão morrer e não se saberá que a causa foi a coronavirus.

O plano tem feito os testes, mas o tratamento não muda, independentemente dos resultados.

Se o vírus chegar forte no inverno, sem essa compreensão sobre a forma como afeta o pulmão, vai ser uma catástrofe.  Como estamos no verão, ainda há tempo de preparar o país. E o único caminho é o isolamento total.

Se for medida extremamente radical, em um mês a rede conseguirá entender o padrão, haverá um controle mais organizado. E aí se consegue voltar à vida mais ou menos normal, porque o vírus vai perder força.

O problema é se não houver esse controle. Aí, será catástrofe geral.

Segundo ele, não são apenas os idosos que serão afetados. No seu hospital há dois casos, de médico de 33 anos e enfermeira de 22 anos. Se o médico sair do tubo, será dependente de oxigênio, porque lesa de forma radical o pulmão. Por isso, os jovens também estão sujeitos a pegar.

Outro problema é a lotação do sistema de saúde. Ele está começando a ficar lotado e vai piorar. E, aí, será difícil até atender a outros casos de emergência.

Informação final do médico – cuja mãe também foi contaminada: as informações de óbito mudam a cada hora.

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