“40 bebês decapitados”: fake news é desmentida por repórter israelense que esteve no local

Atualizado em 11 de outubro de 2023 às 10:22

A fake news sobre os “40 bebês decapitados” pelo Hamas é um exemplo de delinquência jornalística na guerra. Nunca haverá correção porque a mentira é a favor do lado certo. Propaganda pura.

Oren Ziv, repórter fotográfico, postou um depoimento no X, antigo Twitter, sobre sua experiência no kibutz de Kfaz Aza, onde ocorreu um massacre de israelenses e local do fictício assassinato das crianças.

Radicado em Tel Aviv, o israelense Ziv documenta os conflitos na região desde 2005 e teve seu trabalho publicado no New York Times, Der Spiegel e outros meios de comunicação.

Ele contou o seguinte:

Estou recebendo muitas perguntas sobre os relatos dos “bebês decapitados pelo Hamas” que foram divulgados após a visita da mídia à vila. Durante a visita não vimos nenhuma evidência disso, e o porta-voz ou comandantes do Exército também não mencionaram nenhum desses incidentes.

Durante o tour, os jornalistas puderam falar com os soldados no local, sem a supervisão da equipe de porta-vozes do Exército. Uma repórter da [TV israelense] I24 disse que ouviu isso “dos soldados”.

Soldados com quem falei em Kfar Aza ontem não mencionaram “bebês decapitados”. O porta-voz do Exército declarou: “Não podemos confirmar neste momento… Estamos cientes dos atos hediondos dos quais o Hamas é capaz”.

Isso não significa que crimes de guerra não foram cometidos. A cena em Kfar Aza foi horrível, com dezenas de corpos de israelenses mortos em suas casas.

Infelizmente, Israel agora usará essas falsas alegações para intensificar o bombardeio em Gaza e justificar seus crimes de guerra lá.

Em entrevista para o canal a cabo dos EUA Newsmax, o porta-voz das Forças Armadas de Israel, Jonathan Conricus, falou que “ouviu essas histórias”.

“Não posso confirmar esses relatos. Entendo que isso chamou muita atenção”, acrescentou, lembrando das “monstruosidades” do Hamas. Não teve a coragem de admitir que era mentira, mas fica claro que não tem pé nem cabeça (perdão pelo trocadilho).

Na emissora britânica Sky News, uma aula de ética. Num painel com três apresentadores, eles explicaram que não estão cobrindo o assunto porque não viram evidências. “Pedimos três vezes às Forças de Defesa de Israel (IDF) que confirmassem e não o fizeram”, diz a editora.