52% dos brasileiros diz não ver perseguição política a Bolsonaro, diz Quaest

Atualizado em 1 de janeiro de 2026 às 18:28
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

A maioria dos brasileiros avalia que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro ocorreu por atos praticados por ele próprio ou por familiares. É o que aponta pesquisa do instituto Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (1), com entrevistas realizadas em dezembro com 2.004 pessoas em todo o país.

Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados atribuem a responsabilidade da prisão ao próprio ex-presidente e ao seu entorno familiar. Já 21% consideram que a detenção decorre de “perseguição política do STF ou de Alexandre de Moraes”. Outros 5% indicaram motivos diversos, enquanto 22% não souberam ou preferiram não responder.

Ao detalhar os fatores que mais contribuíram para a prisão, 32% apontaram os danos à tornozeleira eletrônica. Para 16%, o principal motivo foi o risco de fuga para o exterior, enquanto 4% atribuíram a decisão à vigília organizada por apoiadores. O restante se dividiu entre outras justificativas ou indecisão.

A pesquisa também mostra que o caso é amplamente conhecido pela população. Entre os entrevistados, 89% afirmaram saber que Bolsonaro está preso em uma cela da Polícia Federal, em Brasília. O grau de informação é elevado em diferentes faixas de renda e orientação política.

Questionados se o ex-presidente merece estar preso, 51% responderam afirmativamente. Outros 42% enxergam perseguição política no processo, enquanto 7% não souberam ou não responderam. O resultado evidencia uma divisão clara da opinião pública sobre o tema.

Gráfico sobre a prisão de Bolsonaro. Fonte: Genial/Quaest

Entre eleitores do presidente Lula, 91% afirmam que Bolsonaro merece estar preso. Já entre eleitores bolsonaristas, esse percentual cai para 4%, enquanto 52% desse grupo afirmam que a prisão decorre de perseguição.

Mesmo entre apoiadores do ex-presidente, há divergências. A pesquisa indica que 18% dos bolsonaristas acreditam que Bolsonaro foi preso por violar a tornozeleira eletrônica, e apenas 2% enxergam risco de fuga para o exterior como fator relevante.

Entre os entrevistados que se identificam como independentes, 29% apontam o dano à tornozeleira como motivo principal da prisão, e 16% veem perseguição política. Já entre eleitores de esquerda que não votaram em Lula, 51% também atribuem a prisão a atos do próprio ex-presidente.

Por fim, o levantamento avaliou o impacto político da prisão. Para 56% dos brasileiros, Bolsonaro ficou “mais fraco” após a detenção. Outros 36% acreditam que ele saiu “mais forte” do episódio, enquanto 8% não souberam ou não responderam, indicando incerteza sobre os efeitos do caso no cenário político.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.