
A maioria dos brasileiros se opõe à guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. De acordo com uma pesquisa do Datafolha, 70% dos entrevistados são contra o conflito, enquanto apenas 20% manifestam apoio. Outros 7% não sabem o que pensar, e 3% são indiferentes. Com informações da Folha de S.Paulo.
A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 9 de abril, com uma margem de erro de dois pontos percentuais. A grande maioria da população brasileira, 94%, afirmou ter conhecimento sobre a crise no Oriente Médio.
A opinião sobre a guerra é homogênea, com uma disparidade notável entre os sexos. Os homens tendem a apoiar mais o conflito, com 29% favoráveis, enquanto 63% são contra. Entre as mulheres, a rejeição é mais acentuada, com 78% desaprovando e apenas 12% aprovando.
A divisão também se reflete entre os níveis de instrução e renda: pessoas com ensino superior (26%) e as mais ricas (30% a 34%) tendem a apoiar a guerra, enquanto as classes mais baixas e com menor escolaridade têm maior rejeição.
O impacto da guerra no cotidiano dos brasileiros é amplamente reconhecido. 92% dos entrevistados acreditam que a crise está afetando os preços dos alimentos, e 87% veem um impacto negativo na economia em geral. 84% afirmam que o Brasil sofrerá com as consequências do conflito, e 75% acreditam que a eleição geral de outubro será afetada.

O aumento nos preços de combustíveis é uma das principais preocupações, especialmente com o impacto da guerra no mercado de energia. O estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo mundial, tem sido um ponto central de tensão entre os EUA, Israel e o Irã.
O governo Lula anunciou medidas para mitigar os aumentos no preço dos combustíveis, incluindo cortes em taxas e aumento de subsídios. A polarização política brasileira também se reflete no apoio à guerra. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 40% são favoráveis ao conflito, enquanto 51% são contrários.
Entre os que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 37% apoiam a guerra e 54% rejeitam. A base evangélica bolsonarista, que tem forte conexão com Israel, tende a apoiar o conflito mais do que outros grupos. O confronto político entre os principais candidatos à presidência também é impactado pela guerra. Entre os apoiadores de Lula, 85% rejeitam a guerra, enquanto apenas 7% aprovam.
A percepção sobre o impacto do conflito também varia: 59% dos eleitores de Flávio acreditam que a guerra tem grande influência sobre o Brasil, enquanto 46% dos apoiadores de Lula pensam o mesmo. A pesquisa foi realizada com 2.004 pessoas em 137 cidades e está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03770/2026.