Uma breve biografia: Plínio de Arruda Sampaio (1930-2014)

Plínio em seu melhor ofício - pensando
Plínio em seu melhor ofício – pensando

Plínio Soares de Arruda Sampaio, uma das figuras mais interessantes da política brasileira, morreu ontem. Candidato à presidência pelo PSOL em 2010, trouxe alguns dos questionamentos mais interessantes ao debate, sobretudo no que diz respeito ao aprofundamento da reforma agrária, a qual Plínio defende há muito anos.

Plínio foi formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 1954. Militou desde a época da universidade. Posteriormente, foi promotor público, deputado federal constituinte e presidiu a Associação Brasileira de Reforma Agrária.

Durante o governo de Carvalho Pinto do estado de São Paulo, Plínio foi indicado para a subchefia da casa civil. Em 1959, um ano após a eleição do governador, Plínio se tornou coordenador do plano de ação do governo. Em 1962, se tornou secretário de negócios jurídicos na mesma administração.

No mesmo ano, foi eleito deputado federal e tornou-se membro das comissões de economia, de política agrícola e de legislação social na câmara.

Principal liderança da ala esquerda do PDC, foi relator do projeto de reforma agrária, que integrava as reformas de base do governo João Goulart. Criou a Comissão Especial de Reforma Agrária e propôs um modelo que despertou a indignação dos grandes latifundiários do Brasil.

Após o golpe de 1964, foi um dos primeiros brasileiros a terem seus direitos políticos cassados. Exilou-se no Chile por seis anos e, em 1970, se mudou para os EUA. Lá, fez mestrado em economia agrícola.

Plínio voltou ao Brasil em 1976 para ser professor na FGV. Perto desse período, ajudou a conceber um novo partido que estaria à esquerda do MDB. Esse partido se chamaria PSDP (Partido Socialista Democrático Popular) se tivesse de fato sido fundado, e a semelhança com o nome do PSDB, que apareceria muitos anos depois não é coincidência: o ex presidente Fernando Henrique Cardoso foi um desses idealizadores também.

Plínio, então, passa a trabalhar na ideia de outro partido de esquerda junto a outras lideranças, e, com o fim do bipartidarismo em 1980, co-funda o PT – Plínio foi o autor do estatuto do partido e um dos idealizadores do seus núcleos de base.

Plínio em tempos de faculdade
Plínio em tempos de faculdade

Em 1982, candidatou-se a deputado federal por São Paulo, tornando-se primeiro suplente. Posteriormente viria a ocupar o cargo, quando o deputado Eduardo Suplicy se afastou do parlamento para disputar a prefeitura de São Paulo.

Depois de participar da campanha pelas “diretas já”, Plínio foi eleito deputado federal em 1986. Participou da elaboração da Constituição Federal de 1988, e ficou famoso ao propor um modelo constitucional de reforma agrária, que visava a acabar com os latifúndios.

Em 1988, disputou as prévias para a prefeitura de São Paulo, derrotado por Luiza Erundina, que venceu as eleições. Em 1990, se candidatou a governador de São Paulo, sem sucesso.

Em 2005, Plínio deixou o PT, alegadamente por diferenças de visões. Foi no auge da crise do “mensalão” e ingressou no PSOL. Em 2010, foi candidato à presidência – um candidato despretensioso que talvez por isso mesmo tenha trazido tanta luz aos debates.

Em 2013, aos 82 anos, foi entusiasta notório das jornadas de junho. Morreu um ano depois em São Paulo, vítima de uma pneumonia causada pela fragilidade imposta pela luta contra um câncer ósseo.

Plínio em campanha presidencial em 2010
Plínio em campanha presidencial em 2010

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