Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Amorim critica falta de consenso na ONU e diz que Brasil quer ajudar “todos os afetados” pela guerra

Celso Amorim, durante sua participação no forum Brasil África. Reprodução

Celso Amorim, assessor de assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a falta de eficácia da ONU em alcançar um consenso no conflito entre Israel e Hamas. Isso aconteceu depois que os Estados Unidos bloquearam uma resolução proposta pelo Itamaraty relacionada ao conflito.

Amorim participou do evento Brasil África 2023 e considerou grave o impasse no Conselho de Segurança, que não conseguiu chegar a um acordo desde os ataques do Hamas na Faixa de Gaza, em 7 de janeiro. O Brasil presidiu o Conselho durante este mês e será substituído pela China amanhã.

“Raramente vi uma situação tão séria na ONU como a que estamos enfrentando agora”, declarou Amorim ao final do evento, cujo propósito é fortalecer as relações comerciais do país com o continente africano. Ele observou que a polarização entre diferentes atores internacionais dificulta a obtenção de qualquer tipo de consenso.

Amorim também enfatizou a importância dos esforços brasileiros para aprovar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que defenda “todos os afetados na região”, mencionando a crise humanitária na Faixa de Gaza e os israelenses que sofreram um ataque com “características terroristas”, sem mencionar explicitamente o grupo terrorista Hamas.

Bombardeio na Faixa de Gaza. Foto: Mahmud Hams/AFP

Sobre a derrota no Conselho de Segurança em 18 de janeiro, a diplomacia brasileira conseguiu o apoio de 9 dos 15 membros do Conselho para um projeto que previa pausas humanitárias no conflito e condenava os ataques terroristas.

O veto dos EUA ocorreu devido à ausência de menção ao direito de autodefesa de Israel, apoiado por Washington.

O Brasil tem tentado atuar como mediador na crise desde o início do conflito, embora sem sucesso. A hesitação do governo em condenar explicitamente o Hamas pelos ataques terroristas tem gerado desgaste, assim como declarações improvisadas do presidente Lula sobre a resposta de Israel aos ataques, que ele qualificou como genocídio.

Amorim também destacou a necessidade de priorizar a questão humanitária no conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas.

Ele mencionou os esforços do governo Lula para permitir que os brasileiros que estão na Faixa de Gaza possam deixar a área pela fronteira com o Egito. Alessandro Candeas, embaixador brasileiro nos territórios palestinos, mantém contato com os brasileiros em Gaza diariamente.

Amorim ressaltou que, no evento, enfatizou que o continente africano deve ser uma prioridade na política externa do governo Lula em 2024. Ele destacou o aumento do número de embaixadas do Brasil na África, passando de 18 para 37, e o crescimento do comércio durante as gestões de Lula na presidência.

O ex-chanceler mencionou a visita de Lula ao continente africano em agosto, que incluiu passagens pela África do Sul, Angola e São Tomé e Príncipe. Amorim também expressou a disposição do Brasil em contribuir para a negociação de paz entre Rússia e Ucrânia, destacando a tradição diplomática do Brasil e seu desejo de ajudar na busca pela paz.

Participe de nosso canal no WhatsApp, clique neste link

Entre em nosso canal no Telegram, clique neste link