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STF permite que maiores de 70 anos se casem sem separação de bens

Regra que instituiu separação de bens em casamento de maiores de 70 anos foi criada em 2022. Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que pessoas com mais de 70 anos não são obrigadas a se casar em regime de separação de bens. A medida foi criada em 2002 para evitar o chamado “golpe do baú”, quando pessoas mais jovens se casam com idosos para herdar seu patrimônio, e agora não é mais obrigatória.

Relator do caso, o ministro Luís Roberto Barroso argumentou que a norma presume que maiores de 70 anos são incapazes de tomar decisões. Ele ainda lembrou que a população do país tem envelhecido progressivamente e que a manutenção da regra viola os princípios da dignidade da pessoa humana e o da igualdade. A regra trata idosos “como instrumentos para a satisfação do interesse patrimonial de seus herdeiros”, segundo o presidente da Corte.

Cármen Lúcia criticou o etarismo, o preconceito contra pessoas com base na sua idade, durante seu voto. “É uma das formas de preconceito dessa sociedade enlouquecida na qual vivemos, ser jovem e feliz sempre. Ninguém é jovem e feliz sempre, a não ser que morra antes de continuar. Feliz o tempo todo, neste mundo em que vivemos não é tarefa fácil”, avalia a ministra.

Julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O caso específico julgado pelo Supremo é da cidade de Bauru, no interior de São Paulo. O processo trata da relação de uma mulher e um homem que mantiveram união estável entre 2022 e 2014, ano em que ele morreu. Uma decisão em primeira instância reconheceu a cônjuge como herdeira, mas os filhos do marido recorreram.

Foi reconhecida a união estável no caso, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo aplicou o regime de separação de bens ao patrimônio do marido, já que ele tinha mais de 70 anos quando a relação foi selada.

O caso foi enviado inicialmente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, posteriormente, ao STF. A tese aprovada pela Corte nesta quinta tem repercussão geral e servirá de parâmetro para o julgamento de casos similares em todo o país e em instâncias inferiores.

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