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‘Culpa da Dilma’: Miriam Leitão é porta voz da propaganda da ‘herança maldita’ de Temer. Por Kiko Nogueira

"Culpa da Dilma"
“Culpa da Dilma”

 

Miriam Leitão tem duas explicações para os problemas do Brasil, eventualmente os do mundo: culpa dos governos Lula e Dilma ou culpa dos governos Lula e Dilma.

Em comentário na CBN na quinta, dia 8, ela atribuiu os apupos estrepitosos a Michel Temer na abertura da Paraolimpíada à ex-chefe dele.

Não tinha nada a ver com o fato de o sujeito ali apresentado não ter a mais remota legitimidade e de ser francamente desprezado por milhares de cidadãos que estavam no Maracanã.

Segundo Miriam, as “críticas ao presidente são por insatisfação com decisões tomadas antes de sua posse”. A população “ainda vive com inflação e desemprego, o que são os motivos das vaias. Medidas que serão tomadas pelo novo governo terão solução em longo prazo”. Ah, bom.

Avisa: “Nada se dá de forma milagrosa. O Fora Temer é coisa de movimentos do PT. Quem herda o governo, paga o preço.”

Em sua coluna no Globo, ela escreveu que “os petistas estão na confortável situação de jogar pedras contra as vidraças nas quais eles estavam até recentemente e criticar a crise que eles mesmos criaram.”

A sentença se adequa muito mais ao trabalho da própria Miriam. Se a gestão Temer apontasse algum sinal de recuperação, seria apesar do lulopetismodilmismo. Como não sai do buraco — a promessa era essa —, é por causa do lulopetismodilmismo. Miriam se ajeita em todos os cenários.

Essa explicação vagabunda — narrativa, se preferir — é exatamente a de Michel Temer e seus capangas. Batendo tudo num liquidificador, acrescentadas doses de desonestidade e oportunismo, sai o clichê “herança maldita”.

Miriam está em absoluta sintonia com essa ideia governista e, espremendo seus textos, sai isso. Em junho, quando deu posse a presidentes de estatais, Michel Temer falou que evitaria mencionar a “herança” que encontrou. Mentiu.

“O país – não vamos ignorar – se encontra mergulhado numa das grandes crises da sua história, numa conjugação de vários problemas ocasionados por erros dos mais variados ao longo do tempo que comprometem a governabilidade e a qualidade de vida da nossa gente”, discursou.

“Não falarei em herança de espécie nenhuma, apenas revelo a verdade dos fatos para que oportunistas não venham a debitar os erros dessa herança em nosso governo”.

Em fevereiro, a propaganda do PMDB na TV mostrava a nação na draga, com desemprego e recessão galopantes. Uma trilha sonora de filme de terror acompanhava o depoimento de vários parlamentares, que listavam as tragédias causadas pelo governo Dilma – como se nunca tivessem feito parte dele.

“A verdade é que o brasileiro empobreceu, entristeceu, e o país precisa reagir já”, narrava a apresentadora. Não, não era Miriam Leitão, apesar do timbre parecido. Apenas, como a colega da Globo, era alguém fazendo comercial de um partido, paga para contar uma história com o mesmo enredo e os mesmos vilões.