
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta quinta (28) que as fake news sobre a “taxação do Pix” beneficiaram diretamente o crime organizado. A declaração foi feita durante coletiva no Ministério Público de São Paulo (MPSP), no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou uma megaoperação contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) envolvendo fundos de investimento e fintechs.
Segundo Barreirinhas, a instrução normativa publicada em janeiro tinha como objetivo ampliar as regras de transparência já aplicadas aos bancos para também alcançar fintechs e instituições de pagamento digital. No entanto, a medida acabou sendo revogada após fake news nas redes sociais, que a deturpou como tentativa de criar impostos sobre transações.
“A Receita recebeu ataques dizendo que a instrução se tratava de taxação de meios de pagamento. Nós tivemos que dar um passo atrás e revogar a instrução normativa. Quem ganhou com as fake news sobre a Receita, espalhadas no início do ano, foi o crime organizado”, afirmou Barreirinhas.
Ele não citou nomes, mas sabe-se que o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o responsável pela divulgação da mentira sobre o governo taxar transferências via Pix.
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Segundo a investigação, organização criminosa usava fintechs para lavar dinheiro obtido com atividades ilícitas.
“Temos que voltar a discutir essa regulamentação”, afirmou Robinson… pic.twitter.com/LhrQ8Lugu3
— Metrópoles (@Metropoles) August 28, 2025
O secretário ainda disse que o crime organizado é “muito financiado pela importação de combustíveis, cigarros e jogo ilegal no Brasil”.
“Não temos que generalizar, elas [as fintechs] prestam papel importantíssimo, mas muitas delas são instrumentalizadas pelo crime, para lavar e ocultar dinheiro do crime organizado, agora de maneira mais sofisticada, usando fundo de investimento e multimercados. Entendemos que existe um limbo, um vácuo regulatório nas fintechs”, prosseguiu.
O secretário concluiu dizendo que a maioria das fintechs tem interesse em adotar mecanismos que dificultem a lavagem de dinheiro e colabora com as autoridades. O desafio, segundo ele, é fechar o vácuo regulatório que ainda permite que organizações criminosas se aproveitem das falhas do sistema para ocultar patrimônio ilícito.