VÍDEO – “Quem ganhou com fake news do Pix foi o crime organizado”, diz secretário da Receita

Atualizado em 28 de agosto de 2025 às 15:05
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta quinta (28) que as fake news sobre a “taxação do Pix” beneficiaram diretamente o crime organizado. A declaração foi feita durante coletiva no Ministério Público de São Paulo (MPSP), no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou uma megaoperação contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) envolvendo fundos de investimento e fintechs.

Segundo Barreirinhas, a instrução normativa publicada em janeiro tinha como objetivo ampliar as regras de transparência já aplicadas aos bancos para também alcançar fintechs e instituições de pagamento digital. No entanto, a medida acabou sendo revogada após fake news nas redes sociais, que a deturpou como tentativa de criar impostos sobre transações.

“A Receita recebeu ataques dizendo que a instrução se tratava de taxação de meios de pagamento. Nós tivemos que dar um passo atrás e revogar a instrução normativa. Quem ganhou com as fake news sobre a Receita, espalhadas no início do ano, foi o crime organizado”, afirmou Barreirinhas.

Ele não citou nomes, mas sabe-se que o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o responsável pela divulgação da mentira sobre o governo taxar transferências via Pix.

O secretário ainda disse que o crime organizado é “muito financiado pela importação de combustíveis, cigarros e jogo ilegal no Brasil”.

“Não temos que generalizar, elas [as fintechs] prestam papel importantíssimo, mas muitas delas são instrumentalizadas pelo crime, para lavar e ocultar dinheiro do crime organizado, agora de maneira mais sofisticada, usando fundo de investimento e multimercados. Entendemos que existe um limbo, um vácuo regulatório nas fintechs”, prosseguiu.

O secretário concluiu dizendo que a maioria das fintechs tem interesse em adotar mecanismos que dificultem a lavagem de dinheiro e colabora com as autoridades. O desafio, segundo ele, é fechar o vácuo regulatório que ainda permite que organizações criminosas se aproveitem das falhas do sistema para ocultar patrimônio ilícito.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.