Fuga em lancha e escritório vazio fazem PF suspeitar de vazamento em ação contra PCC

Atualizado em 28 de agosto de 2025 às 20:20
Agentes durante operação contra fintechs que lavam dinheiro do PCC na Faria Lima, nesta quinta (28). Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal levantou suspeitas de vazamento na megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28/8) contra o PCC, que investiga lavagem de dinheiro em redes de combustíveis, fundos de investimento e fintechs. Dos 14 alvos com mandados de prisão, apenas seis foram detidos. Um dos investigados foi encontrado em uma lancha em Bombinhas (SC), enquanto outros oito permanecem foragidos.

Em Curitiba, a PF cumpriu mandado em um prédio de quatro andares apontado como “escritório do crime”. Segundo os investigadores, o local era usado por proprietários de postos de combustível envolvidos no esquema. Os agentes, porém, estranharam a ausência de computadores, já que a maioria havia sido retirada antes da operação.

Outro endereço chamou a atenção dos policiais: um fundo falso em uma parede escondia várias malas de viagem vazias. Para os investigadores, os indícios reforçam a suspeita de que os alvos tiveram acesso prévio às informações da operação.

Agentes da Polícia Federal durante operação em endereços da Avenida Faria Lima, em São Paulo, nesta quinta (28). Foto: Reprodução/TV Globo

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou em entrevista que o alto número de fugitivos não é “estatisticamente normal”. Ele destacou que a hipótese de vazamento será investigada e que os relatos das equipes em campo ajudarão a esclarecer a situação. Com informações do Globo.

Mais cedo, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou a ação como “a maior da história brasileira” contra o crime organizado nos setores de combustíveis e mercado financeiro. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que as investigações alcançaram “o andar de cima do sistema”.

A ofensiva reuniu três operações conjuntas: Quasar, Tank e Carbono Oculto, envolvendo PF, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo. Ao todo, 1.400 agentes cumpriram 350 mandados em sete estados, mirando empresas e pessoas físicas ligadas ao PCC.