
Um dia depois de Javier Milei ter sido expulso a pedradas de um ato em Buenos Aires, a irmã do presidente argentino, Karina Milei, precisou ser retirada às pressas de um evento em Corrientes nesta quinta-feira (28). Secretária-geral da Presidência, ela é investigada em um escândalo de corrupção ligado a um esquema de propinas na compra de medicamentos, considerado a maior crise do governo até agora.
Karina participava de uma caminhada pública ao lado do presidente da Câmara, Martín Menem, e do candidato a governador Lisandro Almirón quando manifestantes começaram a gritar palavras de ordem e empurrar o grupo. A guarda oficial conduziu Karina e Menem até o aeroporto em um carro oficial, de onde seguiram de volta para Buenos Aires. No mesmo local, movimentos sociais que atuam em defesa de pessoas com deficiência haviam realizado protestos na semana.
Martín Menem é primo de Eduardo Lule Menem, apontado como um dos principais articuladores do esquema de corrupção envolvendo Karina. Gravações divulgadas pela imprensa, atribuídas a um ex-funcionário próximo ao governo, sugerem a existência de cobrança de propinas em contratos para aquisição de remédios e próteses. A defesa de Milei nega as acusações e afirma que se trata de uma ofensiva da oposição.
Karina Milei y Menem fueron a CORRIENTES por CAMPAÑA y tuvieron que ESCAPARSE. Todo un pais se entero que la HERMANA del PRESIDENTE ROBA PLATA de los MEDICAMENTOS de los DISCAPACITADOS y en TODO el PAIS los estan sacando a PATADAS EN EL CULO. pic.twitter.com/bZfVXDAAwv
— Mati Aromi (@MatiAromi) August 28, 2025
O incidente em Corrientes aconteceu após apoiadores libertários reagirem a provocações de opositores peronistas, segundo relatos. A Polícia Federal e a Polícia de Corrientes intervieram para dispersar a confusão e confirmaram a detenção de duas pessoas. Karina Milei não se pronunciou publicamente sobre o episódio.
Na véspera, em Lomas de Zamora, Javier e Karina Milei já haviam sido alvo de pedradas e precisaram encerrar uma carreata sob escolta. Na segunda-feira (25), em Junín, opositores também hostilizaram o presidente durante um ato de campanha, mas sem confronto físico. O clima de tensão ocorre no momento em que novos áudios atribuídos ao ex-chefe da agência de deficiência, Diego Spagnuolo, são divulgados, ampliando as denúncias de corrupção.
Em resposta, Javier Milei afirmou que as acusações são falsas e classificou as denúncias como manobra da oposição. Em discurso a empresários, disse que não pretende recuar: “Sabíamos que seria difícil enfrentar a casta entrincheirada no Estado e que fariam de tudo para defender seus privilégios. Não vou me intimidar”.