1º encontro entre Lula e Trump tem data para acontecer; saiba quando e onde

Atualizado em 29 de agosto de 2025 às 14:30
Lula, presidente do Brasil, e Donald Trump, dos EUA. Foto: reprodução

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, vão dividir o mesmo palco internacional no próximo dia 23 de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Será a primeira vez em que os dois estarão no mesmo evento desde o início da escalada diplomática marcada por tarifaço, sanções e críticas mútuas.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (28) pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Segundo ela, Trump desembarcará na cidade um dia antes do encontro e discursará logo após Lula, respeitando a tradição da ordem de falas na ONU. O Brasil é sempre o primeiro a se pronunciar, seguido pelos Estados Unidos. Isso significa que os dois líderes se cruzarão diretamente na tribuna, em um momento de alta tensão política.

A relação entre os países atravessa um dos períodos mais delicados em décadas. Trump aplicou tarifas de 50% a produtos brasileiros em julho, em especial café, aço, carnes e automóveis.

Além disso, anunciou sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Magnitsky, que proíbe sua entrada em território estadunidense e restringe transações com empresas ligadas ao sistema financeiro dos EUA. As medidas foram justificadas pela Casa Branca como resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado.

Lula durante discurso de abertura da 79ª Assembleia da ONU, em 2024. Foto: Ricardo Stuckert

Esta também será a primeira vez que Trump e Lula estarão lado a lado desde que o republicano reassumiu a presidência. Em maio, havia a expectativa de um encontro entre os dois durante a cúpula do G7, no Canadá. No entanto, o republicano antecipou sua volta a Washington para tratar de questões relacionadas ao conflito entre Israel e Irã, e o encontro não ocorreu.

Na ocasião, não havia reunião bilateral marcada, mas auxiliares de Lula esperavam que o petista pudesse usar o espaço para enviar um recado mais firme ao governo estadunidense.

Trump tem um histórico de discursos polêmicos na ONU. Em 2017, em sua estreia na tribuna, afirmou que poderia destruir a Coreia do Norte e lançou ataques diretos ao Irã e à Venezuela. Já em 2020, em plena pandemia, culpou a China pela disseminação do coronavírus, em um discurso que mesclava acusações diplomáticas e o início de sua campanha pela reeleição. Agora, retorna em meio a novas tensões globais e críticas às próprias Nações Unidas, incluindo a redução do financiamento a agências do sistema internacional.

Lula, por sua vez, deve utilizar sua fala para reforçar a defesa da democracia e rebater indiretamente as sanções contra o Brasil e suas autoridades. O presidente já tem dado sinais de que pretende adotar um tom firme contra o protecionismo estadunidense e contra tentativas de interferência externa em decisões internas do país.

Aliados avaliam que o momento será uma oportunidade para Lula se projetar como líder de resistência a políticas unilaterais de Washington e ao mesmo tempo defender sua política externa voltada ao multilateralismo.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.